segunda-feira, 29 de junho de 2020

Mar de Bronze


Quando mandou erigir o Templo, Salomão fez construir, por Hiram de Tiro uma enorme pia de bronze, de 10 côvados de diâmetro, pois era redonda, e 5 de profundidade, apoiada em quatro juntas de três bois, também de bronze, cada uma delas olhando para um dos pontos cardeais da terra. 

Calculava-se que o “Mar de Bronze” continha uns 45.000 litros de água. Situava-se no pátio central, e era destinado a purificação dos sacerdotes antes de entrarem na Tenda das consagrações. 

Atenta ao simbolismo da purificação pela água, a maçonaria, através de muitos de seus ritos, mostra, no recinto das Lojas, a representação do mar de bronze, para a purificação das mãos do candidato, no decurso da cerimônia de sua iniciação, para ensinar-lhe que a limpeza do corpo físico é uma das condições prévias para a pureza da alma.

domingo, 7 de junho de 2020

Grande Arquiteto Do Universo


O conceito do 'Grande Arquiteto do Universo' está além de qualquer credo religioso, respeitando toda a sua pluralidade. A crença num ser supremo é ponto indiscutível, para que se possa ser iniciado na Maçonaria, uma realidade filosófica mas não um ponto doutrinal.

Como é uma escola de filosofia, moral e bons costumes, e não sendo uma religião, a Maçonaria não pretende concorrer com outras religiões. Permite aos seus iniciados a crença em qualquer uma das religiões existentes, exigindo apenas a crença num ser superior, criador de tudo e de todos, que o candidato já acreditasse antes mesmo de considerar a possibilidade de vir a ser um maçom.

'Grande Arquiteto do Universo' é a designação maçônica para a força superior, criadora de tudo o que existe. Com esta abordagem, não se faz referência a uma ou outra religião ou crença, permitindo que maçons muçulmanos, católicos, budistas, espíritas e outros, se reúnam numa mesma loja maçônica. A atividade da Maçonaria em relação ao Grande Arquiteto do Universo, envolve estudos filosóficos e não proselitismo.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

A Maçonaria na Presente Emergência


A Maçonaria transporta no seu seio tradições e valores que se vão actualizando através dos tempos. Assim acontece nesta época de emergência sanitária e social devido ao Coronavirus- 19

É claro que devemos estar atentos às ameaças à Liberdade que nos assolam de vários quadrantes – como dizia Fernando Pessoa no corajoso e lúcido artigo do Diário de Lisboa – devemos ser tolerantes excepto quando regimes e ideologias ameaçam a nossa liberdade. Também a nossa vigilância deve exercer-se no domínio das ameaças aos nossos valores e direitos humanos, como por exemplo sugestões que ocorrem vindas de uma certa ciência e uma certa política que quer asfixiar as nossas vidas, confinando idosos e monitorizando os nossos passos. Se é certo que o confinamento tem sido necessário e útil para combater a doença, a tentação totalitária de instalar um certo darwinismo sanitário ameaça a vida dos velhos que não estejam infectados e pouco ou nada acrescenta à saúde publica. Ao mesmo tempo a monitorização da nossa vida social se poderá ser eventualmente justificada nestes tempos, ela corre o risco de se eternizar se os cidadãos não exercerem a sua opinião crítica e denúncia frontal.

Por último há que referir a sagrada obrigação do Maçom que é a de exercer a solidariedade, auxiliando os mais pobres e mais necessitados. É claro que o Estado e seus Governos têm a obrigação de prover a essas necessitados, mas as organizações maçónicas, Obediências e Lojas, e os Maçons a nível individual tem de cumprir o dever de Fraternidade em relação aos outros homens, uma “beneficência activa e esclarecida” que nada tem a ver com a “caridadezinha”. A solidariedade que os Maçons exercem dentro das Lojas tem de sair para fora delas, à luz do dia e tudo isto para o Bem da Humanidade e à Glória do Grande Arquitecto do Universo.

José Manuel Anes – Antigo Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

Lisboa, 23 de Abril de 2020 - Publicado em Freemason

Corda de 81 nós


A Corda de Oitenta e Um Nós circunda a Loja, simbolizando a União e a Fraternidade que deve existir entre todos os maçons da face da Terra.

É um dos ornamentos do Templo, e encontra-se no alto das paredes, junto ao teto e acima das colunas zodiacais. Sua origem mais remota parece estar nos antigos canteiros - trabalhadores em cantaria medievais, que cercavam o seu local de trabalho com estacas, às quais eram presos anéis de ferro, que, por sua vez, ligavam-se, uns aos outros, através de elos, havendo uma abertura apenas na entrada do local.


O nó central dessa corda deve estar acima do dossel sobre o trono do Venerável Mestre, tendo, de cada lado, quarenta nós, que se estendem pelo Norte e pelo Sul; os extremos da corda terminam no Ocidente, em ambos os lados da porta de entrada, em duas borlas, representando a Justiça e Eqüidade e Prudência e Moderação.

Alguns autores afirmam que a abertura da corda, em torno da porta de entrada do templo, com a formação das borlas, simboliza o fato de estar, a Maçonaria, sempre aberta para acolher novos membros, e receptiva a novas idéias, que contribuam para a evolução do Homem e para o progresso da humanidade.

O simbolismo da Corda é bem mais antigo, segundo alguns autores no começo do século dezoito se marcava no solo, com giz, os símbolos da ordem, e estes eram circundados por uma corda, ornamentada de borlas.

Esotericamente, a Corda de 81 Nós simboliza a união fraternal e espiritual, que deve existir entre todos os maçons; representa, também, a comunhão de idéias e de objetivos da Maçonaria, os quais, evidentemente, devem ser os mesmos, em qualquer parte do mundo, simbologia que todo maçom deve ter em sua mente em toda circunstância de sua vida.
A Corda de Oitenta e Um Nós circunda a Loja, simbolizando a União e a Fraternidade que deve existir entre todos os maçons da face da Terra.

É um dos ornamentos do Templo, e encontra-se no alto das paredes, junto ao teto e acima das colunas zodiacais. Sua origem mais remota parece estar nos antigos canteiros - trabalhadores em cantaria medievais, que cercavam o seu local de trabalho com estacas, às quais eram presos anéis de ferro, que, por sua vez, ligavam-se, uns aos outros, através de elos, havendo uma abertura apenas na entrada do local.


O nó central dessa corda deve estar acima do dossel sobre o trono do Venerável Mestre, tendo, de cada lado, quarenta nós, que se estendem pelo Norte e pelo Sul; os extremos da corda terminam no Ocidente, em ambos os lados da porta de entrada, em duas borlas, representando a Justiça e Eqüidade e Prudência e Moderação.

Alguns autores afirmam que a abertura da corda, em torno da porta de entrada do templo, com a formação das borlas, simboliza o fato de estar, a Maçonaria, sempre aberta para acolher novos membros, e receptiva a novas idéias, que contribuam para a evolução do Homem e para o progresso da humanidade.

O simbolismo da Corda é bem mais antigo, segundo alguns autores no começo do século dezoito se marcava no solo, com giz, os símbolos da ordem, e estes eram circundados por uma corda, ornamentada de borlas.

Esotericamente, a Corda de 81 Nós simboliza a união fraternal e espiritual, que deve existir entre todos os maçons; representa, também, a comunhão de idéias e de objetivos da Maçonaria, os quais, evidentemente, devem ser os mesmos, em qualquer parte do mundo, simbologia que todo maçom deve ter em sua mente em toda circunstância de sua vida.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

 Rituais e Símbolos Maçônicos: Uma filosofia particular?


Para o desenvolvimento contínuo dos graus propostos do 1º ao 30º, todo Maçom é colocado numa posição de descobrir a riqueza dos múltiplos significados dos símbolos maçônicos. Eles abrem um mundo alegórico estruturado, significativo, oferecendo a possibilidade de numerosos desenvolvimentos filosóficos entendidos no sentido amplo, que demonstra que a Maçonaria oferece um sistema abrangente e coerente, permitindo a qualquer iniciado completar a sua iniciação de outra forma que não a virtual.

A Maçonaria apresenta uma abordagem original visando despertar ou reativar a interioridade do ser para promover a abertura da sua consciência, cuja constante simbólica principal será uma viagem na escuridão em direção à Luz. Isto vai desdobrar-se gradualmente grau após grau, para transcender e unificar com clareza qualquer forma de dualidade. Os graus do 15 ao 30 são enriquecidos pela influência de várias tradições, incluindo a bíblica, cavalheiresca, hermética, Rosa-Cruz e gnóstica, bem como um fundo lendário que sugere uma pluralidade de sentidos. Estes graus podem ser considerados graus filosóficos tanto pela sua origem como pelo seu simbolismo. Esta versatilidade confere-lhes uma natureza universal.
O foco é colocado sobre a aquisição de virtudes e da Virtude no grau de aprendiz. Quando da sua admissão, todo o candidato é reconhecido como livre e de bons costumes, uma condição sine qua non para ser admitido à iniciação.
A Virtude aparece aqui como um estilo de vida que nasce da força em si mesma. Ela é um suporte contínuo da ação e supõe uma intenção de realizar o bem em si mesmo de uma forma cada vez mais eficaz e refletida. A sua busca corresponde a uma tomada de consciência da fragilidade como a fraqueza da condição humana. É uma conquista de lucidez que atravessa do abandono voluntário dos vícios e paixões, designados sob o nome de metais, para aceder à força da libertação interior que é a verdadeira liberdade. A Virtude é sinónimo de força e grandeza da alma.
O iniciado busca a luz, porque ela é para ele um símbolo do Princípio e do Absoluto. A jornada da alma, do berço à passagem ao Oriente eterno, é a busca deliberada de um caminho de vida que exige libertar-se de todas as suas zonas de sombras para elevar-se espiritualmente em direção desta Luz inefável.

Ser reconhecido Livre e de bons costumes
A qualidade da liberdade reivindicada na admissão à Maçonaria consiste em uma disposição pessoal interior. Ela exige ter a vontade de se libertar de tudo o que não é essencial para a sua realização espiritual. Isto requer empregar o tempo que for necessário para avançar para este objetivo. Os bons costumes exigem uma vontade de superar os vícios e paixões que mantêm o ser em um estado de dependência.

O espírito de fraternidade
Uma prática que se torna um dever é o espírito de fraternidade que estabelece e favorece as relações e as trocas entre indivíduos de meios sociais-culturais, religiosas e políticos diferentes. A fraternidade é uma ética de vida onde se não se encontra nem o espírito competitivo nem o da concorrência, e que vai, obviamente, completamente contra o estado de espirito dominante na sociedade atual. Tratar o seu próximo como irmão e amá-lo como a si mesmo, o que exige de cada Maçom a prática da fraternidade iniciática ligada a um despertar da consciência que se origina em uma Sabedoria especialmente iluminada.

Dever e Liberdade
O dever não é definido como um constrangimento, mas como uma obrigação moral livre que é sempre possível ignorar. O fato de se ser capaz de fugir do constrangimento, de desobedecer e transgredir as proibições tem a sua origem na boa ou má gestão do livre arbítrio de cada um e na mesma liberdade individual. Na verdade, se as restrições são uma alienação da liberdade, por outro lado, os deveres permitem lançar os alicerces de um edifício, proporcionando uma regra a seguir. A expressão da liberdade do Maçom, bem entendido, é o próprio Dever.

Silêncio e segredo
O silêncio e o segredo estão intimamente ligados ao longo do processo iniciático. O silêncio revela a arte de ouvir e respeitar um ao outro. Saber segurar a palavra quando é imprudente se exprimir, saber manter o silêncio diante de uma pessoa que não é capaz de entender é o primeiro passo em direcção ao autocontrole. Guardar o segredo e permanecer fiel ao seu compromisso são os dois eixos principais a seguir. Querer impor, sem discernimento, uma verdade ou conceito a alguém que não está pronto para recebê-lo é claramente um erro, porque sem a compreensão a pessoa só poderá ter uma atitude hostil e preconceituosa devido à preocupação ou perturbação ressentida.
Toda sociedade iniciática, toda confraria que realiza uma selecção para a admissão dos seus membros, mune-se, ipso facto, de um aspecto secreto ou oculto, fechado a todo público considerado profano. As noções e conceitos de segredo fazem parte da maçonaria e remontam a um juramento feito pelo iniciado desde o seu início, e atestado pela sua presença nos manuscritos maçônicos mais antigos conhecidos, desde 1696. Toda organização iniciática não pode revelar o seu segredo ou segredos porque eles são incomunicáveis e ligados ao grau de entendimento, de realização e de despertar da consciência de cada iniciado. O segredo disto é pessoal, individual e, finalmente, inefável; ele não se revela a não ser na experiência íntima do sujeito.

Espírito de tolerância
A tolerância é um estado de espírito construtivo sem preconceitos que exige saber escutar, observar e sempre conhecer melhor o seu próximo, sem o julgar. A aceitação da diferença do outro é um passo no caminho para a abstenção de juízo. É um reconhecimento do direito à diferença. A tolerância é uma atitude de espírito pela qual é proibido fazer um juízo de valor definitivo, que aprisionará a pessoa em questão numa grade de leitura restritiva e limitada a apenas algumas aparências específicas. A tolerância não deve, contudo, levar a aceitar tudo. É preciso estar ciente do que é compromisso impossível e que não podemos conciliar tudo. Não julgar, é estar imbuído deste espírito de tolerância que permite aceder uma forma de sabedoria, de entendimento, de escuta e aplicação efetiva dos princípios iniciáticos, esclarecidos pelos valores mais elevados.

Pesquisa do Conhecimento, da Verdade e da Luz
É necessário distinguir o Saber do Conhecimento. O saber pode ser definido como sendo de natureza secular e externa ao ser. Ele responde aos critérios de racionalidade objectiva. Pode-se considera como uma acumulação de dados enquanto que o Conhecimento é de ordem metafísica. Ela toca a interioridade e a essência sutil das coisas, porque ele propõe uma visão coerente e abrangente do universo.
A busca da verdade é complexa porque existe um conjunto de verdades relativas que se aproximam da Verdade Absoluta, sem, contudo, atingir a Verdade transcendente. Livros sagrados, contos, lendas e sistemas filosóficos expressam, todos, uma parcela de verdade. Mas ninguém, em termos absolutos, pode pretender deter toda a verdade. Em essência, esta Verdade é adogmática. Querer aprisioná-la na estrutura rígida de um sistema é destruir todas as condições necessárias para a sua apreensão.
Todo ser, homem ou mulher, não pode ser verdadeiro e buscar a Verdade, se não é decididamente “um ser livre e de bons costumes”. Toda busca pela verdade exige lutar contra todas as formas de preconceito, erros e abusos de todos os tipos, permanecendo firmemente apegado à vontade de não se desviar dela e servir a nobre causa da justiça.
A via iniciática permite subir em direcção à Luz, sob a condição de ter sabido descer anteriormente ao mais profundo da sua própria escuridão. A importância da descida é proporcional à capacidade da elevação.
Esta Luz, símbolo essencial da busca iniciática desdobra-se gradualmente grau após grau, permitindo liberar gradualmente as suas zonas de sombras e encontrar uma unidade em si mesmo.

Filosofia da média justa e do equilíbrio
Um autocontrole autêntico conduz a uma liberação do pensamento por uma elevação do espírito em direção à Luz e a Verdade, que contribui para o aperfeiçoamento do comportamento do Maçom. É o amor ao Bem, ao Belo, ao Verdadeiro e ao Justo que permite progredir em direcção a esta Luz inefável, a do seu mestre interior, que cada um deve ser capaz de encontrar em si mesmo. Estes graus propõem desenvolvimentos da lenda de Hiram. Eles lembram a importância do aprofundamento do dever e a necessidade de reunir o que está espalhado nessa busca árdua, mas essencial da Palavra Perdida.
No grau de Mestre, o iniciado cruza um limite e se encontra no coração de uma dramaturgia composta de episódios cuja continuação só é perceptível através do acesso aos graus além do grau de Mestre cujos elementos filosóficos e simbólicos estão imbricados uns com os outros. Ao fazer isto, eles trazem uma sucessão de esclarecimentos adicionais sobre o grau de Mestre. Estes graus, chamados de “graus de perfeição” são aqueles que vão do grau 4 ao 14. Eles traçam o Caminho de uma progressão que permite aprofundar o sentido da Virtude no seu ideal mais alto. A conclusão dada a lenda de Hiram coloca em evidência os conceitos fundamentais que são a vingança e a justiça.

Vingança ou Justiça
Isto levanta a questão de se exercitar a vingança ou a justiça sobre os assassinos do Arquiteto. Os graus de Eleitos convidam a seguir, em todas as circunstâncias e imperativamente, o único caminho exigente da sua consciência.
Esta sucessão de rituais propõe-se a dar uma conclusão moral ao assassinato do Mestre desaparecido e fechar o ciclo de lenda de Hiram Abiff.
A busca do Caminho do Meio exige saber coordenar as suas ações com os seus princípios. O Mestre deve realizar um esforço sutil para harmonizar os antagonismos. A este respeito, convém notar que o essencial do ensinamento iniciático é oferecido nos rituais dos três primeiros graus. No entanto, o seu estudo necessita, para não dizer exige, um aprofundamento proposto pelo progresso contínuo do conjunto dos graus, do Mestre Secreto ao Cavaleiro Kadosh, sugerindo uma busca e um compromisso permanentes.
Três graus, designados sob o nome de graus de Eleitos resumem o percurso iniciático dos três primeiro graus, aprendiz, companheiro e mestre, mas vividos num novo ciclo. O primeiro, ou Eleito dos Nove, evoca a transgressão da lei e destaca os perigos e malefícios dos impulsos vingativos. O segundo, ou Eleito dos Quinze, faz passar da vingança à justiça colectiva, para que todas as paixões sejam esgotadas. O terceiro, enfim, é uma forma de consagração do iniciado que é reconhecido como Emerek, ou verdadeiro Homem em todas as circunstâncias, isto é, um autêntico Mestre Maçom. Ele marca a conclusão do ciclo do assassinato do arquiteto do templo e a morte dos seus assassinos, o que convida à reflexão sobre os problemas da justiça e da vingança. Pode-se definir a vingança como justiça individual expedita, sob o impulso da paixão e da cegueira, enquanto que o senso de justiça é uma abordagem que se origina de um consenso de reparação, de acordo com a lei da ação e reação, com a vontade de punir os criminosos por um ato equivalente em troca. Renunciar à vingança pessoal para passar à justiça colectiva é próprio de verdadeira mestria que converte a sombra em luz, e ajuda a estender a equidade ao plano social.
A vingança é uma forma de justiça que segundo a lei de talião é necessário ao justiceiro encontrar uma compensação e um alívio. Portanto, a questão se coloca, um indivíduo isolado pode arrogar-se o direito de julgar e fazer justiça de acordo com os seus sentimentos e não com o direito? Podemos considerar a justiça como o estabelecimento de uma relação de equilíbrio entre os homens.

Alquimia e Maçonaria
A Alquimia, assim como a Maçonaria, propõe uma meditação simbólica profunda. A alquimia é baseada num amplo sistema cosmogónico que se refere à Unidade primordial manifestada em três reinos: mineral, vegetal, animal. O Rito Escocês Antigo e Aceito, no conjunto dos seus graus, empresta muita coisa da alquimia. Isto é tanto mais compreensível vez que a Maçonaria e alquimia têm em comum a regeneração do ser e a realização espiritual. Há uma clara semelhança entre os temas alegóricos usados no método simbólico e iniciático, tanto em alquimia quanto na Maçonaria. Na alquimia, o vil chumbo deve ser transformado, durante purificações e transmutações para se tornar ouro. Na Maçonaria, a pedra bruta lavrada a que é identificado o aprendiz será cortada e polida para se tornar perfeita a ter lugar no edifício sagrado.
Em um processo alquímico muito específico, o Maçom é convidado a visitar o interior da terra e se corrigir, ou seja, purificar-se, para encontrar a pedra oculta dos sábios, ou a pedra filosofal. Exige-se dele que aceite os métodos de aprendizagem para aprender profundamente a corrigir em si mesmo o que precisa ser corrigido, portanto, saber transmutar o seu chumbo em ouro. Esta transmutação implica um ideal de perfeição que tende à sabedoria. Todas estas mutações levam o mestre de encontrar o seu verdadeiro lugar, a sua função na terra e atingir o seu pleno potencial de acordo com as suas habilidades, dando sentido à sua vida.

O espírito da cavalaria
O termo cavaleiro é o título genérico trazido ao Rito Escocês Antigo e Aceito pelos detentores dos graus 15 ao 30, inclusive; ou seja, do Cavaleiro do Oriente e da Espada até o Cavaleiro Kadosh.
Podemos considerar que o conjunto desta sucessão de títulos de Cavaleiros empresta ao Mestre Maçom uma forma de nobreza pela qual é reconhecida a sua capacidade de adquirir e praticar virtudes cavalheirescas. O acesso a um certo grau de iniciação, a partir dos graus capitulares corresponde a um enobrecimento natural do ser. Isto recorda a origem da instituição da nobreza que inicialmente não era herdada.
A função cavalheiresca envolve a luta contra o mal, o autocontrole, uma ética moral através da prática de sentimentos nobres e elevados, em que a generosidade e grandeza de alma é colocada a serviço dos pobres e dos oprimidos.
Encontramos este espírito na divisa do grau, Vencer ou Morrer. Embora a Cavalaria tenha desaparecido enquanto instituição social, a Maçonaria propõe conservá-la através do ensino das virtudes que a caracterizaram, especialmente neste grau que premia os Eleitos pela sua virtude.
O dever mais importante da Maçonaria é consagrar-se à prática efetiva da Virtude. O Mestre Maçom não deve somente opor-se a todas as formas de opressão, tirania e intolerância, mas também deve comprometer-se a trabalhar positivamente colocando-se ao serviço dos outros. A ignorância, a intolerância, o fanatismo, o orgulho e a ambição devem ser combatidos implacavelmente. Trata-se aí, e este é um dos sentidos de dever dos Eleitos, realizar a inevitável morte do seu ego, para erradicar qualquer inclinação para se comportar como mau companheiro. A partir do grau 15, o Mestre Maçom veste o hábito de Cavaleiro, que é também o de Príncipe, de Peregrino e de Pastor, o que corresponde à definição de “viajante nobre” que empreendeu uma busca iniciática. Herdeiro do espírito da cavalaria, o Maçom defende contra todas as formas de injustiça numa ação controlada animada por uma ética de amor e equidade.
Irène Mainguy -Tradução José Filardo

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Quatro Elementos


Sede a TERRA, disse o Mestre. A TERRA recebe os dejetos dos homens e dos animais e não é perturbada por isto. Transforma as impurezas em adubo e fertiliza o campo.

Sede a ÁGUA, disse o Mestre. A ÁGUA se auto-depura e limpa tudo aquilo que toca. Sede ÁGUA em torrente.

Sede o FOGO, disse o Mestre. O FOGO faz a madeira em decomposição transformar-se em luz e calor. Sede o FOGO que queima e que purifica.

Sede o AR, disse o Mestre. O AR espalha as sementes sobre a TERRA, faz o FOGO arder com mais brilho e desloca as nuvens, para que a ÁGUA caia sobre todos os seres.

Se vós tiverdes a Paciência da TERRA, a Pureza da ÁGUA, a Força do FOGO e a Justiça do AR, vós sereis LIVRES.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Oração do Iniciado


Ó Grande Arquiteto do Universo, cuja existência está além da compreensão racional, abre meu coração ao entendimento intuitivo para que eu escolha sempre o caminho certo.

Tu, que legaste aos Teus primeiros emissários o mágico dom de criar e que proporcionaste aos seres viventes a possibilidade do eterno existir, mostra aos meus olhos internos a visão do incriado e faze de todos os meus momentos instrumentos do teu serviço.

Dá-me um espírito guerreiro, para que eu veja nos obstáculos que medram pelos caminhos fascinantes desafios a serem vencidos, dá-me forças para carregar com firmeza a tocha que ilumina as trilhas da compreensão e, mais ainda que força, dá-me a obstinação necessária para levar adiante, sem jamais fraquejar, a sedutora missão de servir-Te.