terça-feira, 7 de maio de 2019

Como posso tornar-me Maçom?

Antes de mais nada, o postulante ao ingresso nos quadros da Ordem Maçônica, deve Auto-avaliar-se em busca de valores, costumes, atitudes (interiores), e comportamentos sociais exteriorizados cotejando-os com algumas premissas a seguir apresentadas.

O Candidato deve, portanto, identificar-se com os aspectos a seguir:
Legal:
- ser emancipado e ter completado 18 anos antes da cerimônia de iniciação;
- se engajado em união estável, contar com a concordância da esposa;
- ser um homem integro, ligado e atualizado em relação ao seu tempo;
- ser empreendedor e capaz de assumir responsabilidades;
- ter emprego, residência e domicilio fixos, no Oriente (estado, município) pleiteado;
- suas atividades profissionais devem ser lícitas, não importando o métier;
- esperar encontrar na Loja pleiteada, homens livres, de bons costumes, capazes de realizar obras poderosas em benefício da Humanidade, da Pátria e da Família;

Doutrinário:
- ter religiosidade, melhor do que religião;
- crer em Deus, acima de tudo;
- ter uma idéia clara da virtude e do vício, adotando aquela e rejeitando este;
- estar apto a apreender conhecimentos litúrgicos e filosóficos;
- distinguir entre religião e maçonaria;
- ser respeitado na iniciação, não só pelas características esotéricas, exotéricas e metafísicas do evento, como pelo significado simbólico trazido pelas nossas tradições e regularidade;

Prático:
- apresentar bons costumes;
- ter boa família;
- seguir as leis

Metafísico:
-ser receptivo a idéias;
- estar ideologicamente alinhado com a idéia de Deus;

Da Tradição:
- estar apto; ou pronto, disposto e capacitado, "sponte SUA"

Iniciático:
- creditar respeito ao processo;
- manter o espírito receptivo ("nada lhe será cobrado; tudo será dado");

A admissão à Maçonaria é restrita a pessoas adultas sem limitações quanto a raça, credo e nacionalidade, desde que gozem de reputação ilibada e que sejam íntegros.

Nenhum homem, por melhor que seja, poderá ser recebido na Maçonaria, sem o consentimento de todos os maçons. Se alguém fosse imposto à Maçonaria, poderia ali causar desarmonia, ou perturbar a liberdade dos demais, o que sempre deve ser evitado.

A aceitação do pedido de ingresso na Ordem depende bastante da declaração de motivos do candidato. A Ordem espera que o candidato seja sincero perante sua própria consciência, quando do preenchimento da proposta de admissão.

Quando alguém se candidata a ingressar na Maçonaria, é verificado em sindicância se dispõe de ganhos pecuniários que permitam cumprir os compromissos maçônicos, sem sacrificar a família. Vale dizer que nenhum homem casado poderá entrar para a Maçonaria sem que a esposa esteja de acordo.

É óbvio que, ao se iniciar na Maçonaria, o indivíduo deverá assumir compromissos derivados de participação engajada e responsável nas lide maçônicas. Entre os compromissos e responsabilidades, encontram-se aqueles de estudar, com mente aberta, as instruções maçônicas, bem como, o de considerar denso sigilo sobre os ensinamentos recebidos e contribuir pecuniariamente para a manutenção de sua Loja e sua Obediência. Os compromissos e responsabilidades, a propósito, são do mesmo gênero daquelas encontradas em qualquer associação entre homens.

Ao contrário do "folclore" que alimenta a crença de muita gente, a Maçonaria não é uma sociedade secreta e exerce suas atividades extensivamente, sob o palio da legitimidade de sua natureza e da legalidade de seus atos e fatos administrativos, fiscais e tributários. Suas Propriedades, Constituições, Emendas, Regimentos e Estatutos são registrados em Cartório de Imóveis, Títulos e Documentos, e publicados em Diário Oficial.

Uma vez iniciado, o postulante torna-se Maçom, e, como tal, estará, para todo o sempre, sob constante vigilância de sua própria consciência e dos demais Maçons.

Isso posto, havendo seu interesse em "entrar" na Maçonaria, entre em contato com um Maçom de seu conhecimento ou com uma Loja Maçônica de sua cidade.

Grande Oriente

sexta-feira, 19 de abril de 2019

A Pedra que não queria ser trabalhada


Acordei, e era Meio Dia. Tinha de cumprir a minha primeira missão, o meu primeiro trabalho, enfim, a minha Primeira Prancha. Mãos à Obra. 
E que missão a minha!... nada mais nada menos que trabalhar uma Pedra. Vamos a isso. 

Campo fora, no meio de calhaus, tropeço aqui... reviro além, e eis que descubro, maravilha das maravilhas, uma bela pedra que pela sua forma, dimensão e textura, facilmente me permitirá executar um bom trabalho... sem trabalho nenhum! 

Um pequeno toque de cinzel...e (!?)... Não é possível !!! a Pedra desviou-se!?... e agora ela FALA!... 

(A Pedra) - Diz-me Aprendiz, porque me escolheste para objeto do teu Primeiro Trabalho? Será que a minha forma te apraz como sentido material do caminho que decidiste encetar, ou haverá algo de excitante na minha textura que te impede de imaginar que outras Pedras existem? 

(O Aprendiz) - Estou espantado, nunca imaginei que uma Pedra falasse, os Mestres a quem devo obediência não me indicaram que pedra escolher para trabalhar... eu escolho-te pela tua forma quase perfeita, pelas tuas arestas quase esquadriadas, talvez pela tua presença destacada neste campo de calhaus disformes,... sei lá, por tudo isso! 

(A Pedra) - Sim, estou vendo. Pensaste tu então, pobre Aprendiz de Pedreiro, que com um mínimo de esforço realizarias um bom trabalho!? Já te passou, por acaso, pela cabeça que poderão existir Pedras que não necessitam, ou simplesmente não querem ser trabalhadas? Já imaginaste que no difícil caminho que tens pela tua frente, terás sempre que escolher as pedras mais difíceis de trabalhar, as mais necessitadas da tua atenção, do teu respeito, da tua arte de transformar sonhos em realidades, formas brutas em artefatos dignos de um Criador,... enfim, dignos do Homem? Pensa no quanto as pedras que te rodeiam necessitam de ti, tenta dar o teu melhor sem exigir nada da pedra que trabalhas, tenta fazer dela uma obra digna de ti e dos teus Mestres, o teu trabalho bem executado será o teu prémio, e assim talvez um dia sejas um Pedreiro. 

(Aprendiz) - Pedra, não sei o que te dizer, sou um pobre aprendiz que muito tem que aprender, sei apenas que, hoje e aqui contigo, recebi a primeira lição: Deverei sempre trabalhar a pedra que mais necessita, desde que ela queira! Agora preciso ir, pois é quase Meia-noite... Adeus pedra, agradeço-te a lição! 

(A Pedra) - Espera Aprendiz, faz-me um pequeno favor, vira a minha face polida um pouco mais para Oriente,... assim,... já está bem! Ah, agora retira de debaixo de mim, essa pequena pedra cinzenta... sim essa mesmo, que eu esmago sem querer há milhares de anos. Leva-a contigo, não tentes trabalhá-la; tenta apenas compreendê-la, o que já será uma tarefa quase impossível. Adeus Aprendiz 

(O Aprendiz)- Adeus pedra!

Cond. Internet

domingo, 14 de abril de 2019

Os Monges Maçons


Em 1786, bem dentro da Abadia de Clairvaux, localizada em Aube foi constituída uma Loja de 13 Irmãos Cistercienses, sob os auspícios do Grande Oriente de França. Que um grupo de clérigos pudesse montar uma Loja Maçónica pode, à primeira vista, parecer estranho quando sabemos da animosidade que existia entre o Catolicismo e a Maçonaria. Mas isso seria esquecer muito rapidamente a História…

Esta situação não é de facto excepcional nesse final do século XVIII, quando as bulas papais ainda não tinham esvaziado as lojas dos servos de Deus. Ela revela não uma fratura doutrinária ou ideológica, como muitas vezes é afirmado hoje, mas sim uma verdadeira convergência de ideias. Pouco antes da Revolução, a maior parte das lojas francesas praticava uma Maçonaria exclusivamente orientada para o aperfeiçoamento do homem através do trabalho, e cuja base repousava sobre as três virtudes teologais que são a Fé, a Esperança e a Caridade. Somente a Maçonaria do tipo anglo-saxão continua hoje a manter esse ternário como um pilar fundamental da metodologia maçónica.

Extrato da correspondência endereçada ao Grande Oriente da França, pelos monges cistercienses:

Ao Or de Clairvaux, lugar muito forte e iluminado onde reina a Igualdade, a Paz, a União, o Silêncio e a Amizade, no quarto dia do segundo mês do ano da V L 5785,

Ao Mui Respeitável, Sapientíssimo, Esclarecido e único legítimo G Or de França

Nós estávamos na escuridão da irregularidade; para sair, nós nos dirigimos à R L Union de la Sincérité no Or de Troyes, para que ela nos forneça através dos seus raios luminosos os meios para alcançar o caminho que conduz à via do augusto centro tribunal dos verdadeiros maçons; por conseguinte, no quinto dia de Abril no ano da V L 5785, traçámos uma prancha que endereçamos a essa R L para convidar os IIr que a compõem a visitar os nossos trabalhos e nos indicar a qualidade dos materiais necessários a empregar para fundar o templo que queremos erigir. Esses RR IIr tendo-nos feito esse favor e impactados pelo brilho deste primeiro raio de verdadeira Luz, inspiraram-nos ainda mais o desejo de nos submetermos às Leis e regulamentos do vosso ilustre Areópago; já submetidos de coração e afeto às leis da sabedoria e virtude, aspiramos a felicidade de nos comprometer por um juramento irrevogável; podeis vós, Mui RR IIr considerar-nos dignos desse favor, podeis perdoar a irregularidade do nossos primeiros trabalhos, podeis vós, saciando os nossos votos, completar a nossa felicidade; nós vos exortamos a que se dignem de nos conceder os seus santos votos, dignai-vos aceitar as homenagens da nossa submissão aos seus respeitáveis decretos e constituições que emanam do seu augusto tribunal, dignai-vos de nos agregar aos verdadeiros maçons.

Nós vos pedimos para confirmar o título da Loja Vertu; este não é um título desprovido de realidade, nós o gravámos nos nossos corações e os nossos trabalhos estão sob garantia; ousamos esperar que favoráveis aos nossos desejos, vós possais aceitar como nosso Deputado junto ao vosso tribunal o Mui Q Ir Jean Eustache Peuvert, funcionário do Parlamento em Cais d’Orleans, confiantes de que teremos nele um sólido apoio; se puderem na sua sabedoria considerar os nossos desejos …

Muitos comentaristas viram no nascimento, mas também na vida tumultuada e efémera desta Loja, apenas os conflitos entre visão secular da Maçonaria e a visão secular da religião, a origem daquilo que foi em França um verdadeiro trauma espiritual.

Eles esquecem-se de enfatizar que as Ordens monásticas são dentro da Igreja Católica bem mais do que apenas ordens religiosas. Elas são uma Ordem dentro da Ordem, porque elas derivam a sua identidade numa história muito mais profunda e mais antiga que a sua assimilação pela Igreja de Roma. Elas eram desde tempos imemoriais, os atores operativos e económicos dos seus territórios, um pouco como também o eram as corporações de construtores antes do advento da Maçonaria.

A busca pelas virtudes teologais foi por muito tempo e quase até a recente generalização do Rito Escocês Antigo e Aceito e do Rito Francês (moderno) pela Maçonaria continental, o primeiro objecto da busca maçónica. Apenas o nome e o “logotipo” de certas Lojas atuais lembram essa realidade esquecida.

Portanto, não é surpreendente descobrir que trabalhadores apaixonados pela espiritualidade pudessem tentar completar a sua busca por outros meios que não fossem uma religião dogmática, para emancipar as virtudes essenciais da Escada de Jacob que conduz aos mesmos sonhos da maçonaria, menos religiosos de hoje: a paz e a emancipação social.

Pierre Inverni-José Filardo 
BIBLIOT3CA

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Origens da Maçonaria


Na antiga biblioteca do Museu Britânico existe um documento publicado em 1840 e descoberto por Halliwell. 

É do seguinte teor: 

“Que o Todo Poderoso Deus Eterno proteja nossos trabalhos e nos conceda a graça de governarmos de tal modo que possamos conformar-nos nesta vida com os seus desígnios e que obtenhamos, depois, de nossa morte, a Vida Eterna. 

Queridos Irmãos e Companheiros. Iremos contar-vos de modo claro e sucinto como começou esta importante Arte, como mereceu a proteção dos grandes Reis e dignos Príncipes, e de outras muitas e muitas respeitáveis pessoas. 

Também queremos vos dar a conhecer, aos que desejam, os deveres que todo fiel Maçom está em consciência obrigado a cumprir. 

Há sete ciências livres: a Gramática, a Retórica, a Dialética, a Aritmética, a Geometria, Música e a Astronomia, fundadas todas numa só ciência: a Geometria, por meio da qual o homem aprende a medir e a pensar, o que se torna indispensável aos mercadores de todas as corporações. 

O princípio de todas as ciências foi descoberto pelos filhos de Lamec: Jabal, o maior, descobriu Geometria; e Tabulcain, a arte de forjar. 

Para que os seus prodigiosos descobrimentos não se perdessem e passassem à posteridade, os “escreveram” em pilares de pedra. Hermes, encontrou um deles e, estudando as indicações que continha em seguida ensinou a outros o que havia aprendido. 

Na época da edificação da Torre de Babel, a arte de construir fez com que a Maçonaria começasse a adquirir importância e o próprio rei Nemrod se fez maçom e demonstrou grande predileção por essa arte e construiu Nínive e outras cidades.

Nemrod enviou trinta maçons ao estrangeiro a quem fez recomendações especiais: sede fiéis uns aos outros; amai-vos sinceramente e servi com fidelidade aos que tenham autoridade obre vós; para que deste modo me honreis a mim, que sou vosso amo e vos honreis também a vós mesmos. 

Posteriormente, quando Abraão e sua mulher foram para o Egito, ensinaram um discípulo,  Euclides,  que se distinguiu especialmente nesses estudos. 

Euclides chegou a ser mestre nas sete ciências; ensinou geometria e ditou uma regra de conduta nos seguintes termos: 

“Em primeiro lugar, deviam ser fiéis ao Rei e ao país a que pertencessem; amar, ser fiéis entre si; darem-se o nome de Irmãos e de Companheiros, elegendo para Mestre(1)o mais sábio, sem levar em conta, para essa eleição, amizade particular, as condições de nascimento e riqueza, senão dotes de sadedoria e prudência. 

Todos se obrigavam sob a fé do juramento a observar todas essas prescrições.” 

Muito tempo depois, o rei Davi empreendeu a construção de um Templo que se chamou o Templo do Senhor, em Jerusalém. Amava muito aos maçons e lhes comunicou os regulamentos e os usos que Euclides lhe havia transmitido. 

Morto Davi, Salomão, seu filho, terminou a construção do Templo. Enviou maçons a diversos países e reuniu quarenta mil obreiros na pedra, a quem chamou, também, maçons; dentre esses escolheu três: mil que foram chamados Mestres e diretores dos trabalhos. 

Também existia naquele tempo, e em outro país, um rei a quem os seus súditos chamavam de Hiram, o qual forneceu a Salomão as madeiras para a construção do Templo. 

Salomão confirmou os regulamentos e costumes que seu pai havia introduzido entre os maçons, de modo que a arte da Maçonaria afirmara-se no país e em Jerusalém, bem como em muitos Reinos e Estados. Membros inteligentes dessas associações viajavam para o estrangeiro para se instruírem e ensinarem; deste modo, um deles, Minus Mannou Gracus, foi à França e estabeleceu lá a Maçonaria. 

A Inglaterra não desfrutou deste gênero de Instituição, a não ser após Santo Albano. Até essa época o rei da Inglaterra, que era pagão, cercara com uma muralha a Cidade de Santo Albano, confiando ao Santo a direção da obra. 

Santo Albano retribuiu com bom salário aos maçons e obteve do Rei, para eles, carta de franquia que lhes permitia reunirem-se em assembléia geral. 

Presidiu a recepção de novos maçons e lhes ditou regulamentos para sua ordem e governo. Pouco depois da morte de Santo Albano, várias nações estrangeiras lançaram- se em guerra contra a Inglaterra, de modo que, pouco a pouco, esses regulamentos deixaram de vigorar até o reinado do rei Atelatan. 

Este monarca era um príncipe digno; pacificou seu reino e ordenou a edificação de numerosas abadias, de muitas cidades e de outros grandes trabalhos, e que queria muito aos maçons. Porém, seu filho Edwin, que praticava com entusiasmo a arte da Geometria, os favoreceu mais ainda, sendo recebido maçom, obtendo do Rei, seu pai, uma carta de franquia e a autorização de convocar cada ano, a todos os maçons para comunicarem-se reciprocamente as faltas que houvessem cometido bem como as transgressões e castigá- las. O mesmo presidiu em York uma dessas assembléias. 

Recebeu novos maçons, deu-lhes regulamentos e estabeleceu costumes.

Na reunião das assembléias convidou a todos os maçons, tanto aos novos como aos antigos, a comunicarem aos seus companheiros o quanto soubessem acerca dos usos e obrigações impostos aos maçons, no país e no estrangeiro e outras partes do Reino. 

E quando, para responder à solicitação de se apresentarem por escrito os pedidos, encontraram-se alguns em francês, outros em grego, inglês e outras línguas que convinham e eram idênticos a respeito dos objetivos que os inspiravam. 

Edwin os reuniu todos em um só livro. E ele, no livro, dizia como se tinha realizado essa descoberta. Recomendou e ordenou que esse livro fosse lido e comentado cada vez que se recebesse a um novo maçom e antes de lhe fazer conhecer as obrigações que lhe impunham. Desde então, até nossos dias, os usos e práticas dos maçons se têm conservado sob a mesma forma, nos limites do poder humano. 

Em diversas assembléias se estabeleceram leis e ordenações necessárias e úteis, segundo a opinião dos Mestres e dos principais Companheiros.” 

“Aprendiz, Simbolismo do Primeiro Grau” - Rizzardo da Camino

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Ser Maçom ou Estar Maçom?


Venerab:. Mes:.
RResp:. IIrm:. Pri:. e Seg:. VVig:., que são as Luzes móveis que sustentam este Tem:. de Salomão.
Respeitáveis Autoridades que enriquecem o Or:.
Estimados e RResp:. IIr:..

Gostaria de agradecer o convite por parte do Venerab:. Mes:., para fazer uso da palavra nesta sessão. Esse auspicioso fato gera , para mim, duplo sentimento, pois me sinto sobremaneira honrado, e, ao mesmo tempo, por demais preocupado, diante da plêiade de Ven:. IIr:. presentes.


Inicialmente, quero confessar ao Venerab:. Mes:., e às respeitáveis autoridades que ornam o Or:. deste Aug:. Tem:.,, e aos estimados e RRespeitab:. IIr:. presentes a esta sessão, a minha confissão de fé nos postulados da Maçonaria e o respeito às autoridades legalmente constituídas, como embasamento e sustentáculo de minha crença nos princípios que me ensinaram, os quais procuro cultuar, obedecer e transmitir aos mais novos.


É possível, que no curso de minha fala, venha abordar problemas internos de nossa Sub:. Or:., que existem por obra e graça da conduta de alguns IIr:., e que precisam, de alguma forma, serem resolvidos.


Se isso ocorrer, antecipo, com todas as forças de meus sentimentos, minhas desculpas, deixando claro que não se trata, absolutamente, de nada existente no plano do relacionamento pessoal, reafirmando que seria única e exclusivamente, para justificar a minha passagem, não apenas pelos templos que tenho frequentado, mas, principalmente, pela obediência ao cerimonial de nossa iniciação.


O tema sobre o qual vou discorrer, “ser maçom e estar maçom”, é, ao mesmo tempo, de fácil exposição, como, também, de expressiva complexidade, gerando, sem dúvida, preocupação.


Deixando de declinar o nome da Loj:. e dos IIr:., tenho conhecimento de um acontecimento real e verdadeiro, em que o candidato foi regularmente sindicado, foi iniciado, elevado e exaltado, satisfazendo a todas as exigências, frequência, metais, visitas e trabalhos. Passado algum temp[o de sua exaltação, abordou um Ir:. do quadro, indagando que já estava participando da Loj:. há mais de três anos. Já era mestre, e, no entanto, ninguém falava de sua parte. Que parte? Perguntou o Ir:.. Ora, disse ele, eu sei que a maçonaria é rica e ajuda os IIr:., e eu quero saber quando vou receber a minha parte. O Ir:., atônito, procurou explicar o que era a maçonaria, e o interesseiro nunca mais voltou à Loj:.  Esse Ir:. era maçom ou simplesmente estava maçom, esperando a oportunidade para se locupletar, para tirar proveito da maçonaria, da Loj:. ou dos IIr:.?


Quantos participam do universo da nossa Sub:. Or:., e, por certo, os IIr:. presentes conhecem  ou conheceram, aqueles que estão ou estavam maçons, a espera, simplesmente, de uma oportunidade para tirar proveito.


Eis, meus IIr:., a importância da sindicância e a grande responsabilidade de cada sindicante ao entrevistar um candidato. Em minha caminhada maçônica, de quase três décadas, já ouvi dizer que candidatos foram entrevistados por telefone, estando em outro oriente, e que candidatos foram entrevistados por apenas um dos três sindicantes, limitando-se os dois outros a copiarem os dados colhidos. Não basta, para ser maçom, ser sindicado, iniciado, elevado ou exaltado. Nem os graus recebidos pelo Ir:., de Ap:. Com:. ou Mes:., e nem o avental e o colar, fazem de um Ir:. um maçom. É necessário muito mais!


Já foi dito que “ não é a púrpura e o arminho que fazem o juiz. É a integridade, é o saber. É o amor à virtude, o zêlo da justiça”. Assim , também, pode-se dizer, que não é o avental, nem o colar e nem o grau que fazem o maçom. É a sua conduta, o seu caráter, o seu procedimento dentro e fora do templo. É a exteriorização  das luzes que emanam do seu templo interior.


A Constituição do Grande Oriente Do Brasil, em seu artigo 1º, ao tratar dos princípios gerais da maçonaria, apresenta dez incisos, como postulados da conduta do maçom, dentre os quais, peço vênia para mencionar os de número III e VI, que estabelecem, respectivamente: 


“ III - Proclama que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um”;


“ VI - Considera irmãos todos os maçons, quaisquer que sejam suas raças, nacionalidades, convicções ou crenças.”


Mas não é só! 


Quando de nossa iniciação, no curso das VViag:., explica o Ir:. Or:.:   “ Se desejais tornar-vos um verdadeiro maç:., deveis primeiro morrer para o vício, para os erros, para os preconceitos vulgares e nascer de novo para a virtude, para a honra e para a sabedoria.”


Façamos uma auto-indagação. Perguntemos a nós mesmos, se conseguimos alcançar essa meta, ou seja, se conseguimos morrer para o vício, para os erros e para os preconceitos vulgares, e se nascemos de novo, para a virtude, para a honra e para a sabedoria. Se a minha resposta. Se a sua resposta, se a nossa resposta for afirmativa, com certeza, somos maçons. Se, entretanto, duvidosa ou negativa for a resposta, certamente, não somos maçons, mas estamos maçons.


Mas adiante, o Ir:. Or:. explica ao iniciando os deveres do maçom dizendo:  “ O 

segundo dos vossos deveres e o que faz que a maçonaria seja o mais sagrado dos bens, além de ser a mais nobre e a mais respeitável das instituições, é o de vencer as paixões ignóbeis, que desonram o homem e o tornam desgraçado; praticar, continuamente, a beneficência, socorrer os seus irmãos, prevenir as suas necessidades, minorar os seus infortúnios, assistí-los com seus concelhos e as suas luzes. Toda ocasião que ele perde de ser útil é uma infidelidade; todo socorro que recusa é um perjúrio; para aprovarmos o ingresso de um candidato aos nossos sublimes mistérios, exigimos que seja livre e de bons costumes, e é o que afirma o Ir:. Ex:., ao apresentá-lo ao templo, para receber a luz.

Ser maçom, meus IIr:., é cumprir o sagrado compromisso assumido por ocasião de nossa iniciação. É investir tempo, sentimento, dedicação sem limite, na construção do nosso templo interior. É perquirir e buscar o aprimoramento de nosso caráter, de modo a nos posicionarmos perante a sociedade, como homens diferenciados, e sejamos reconhecidos como homens livres de pressões maléficas, de conduta ilibada e de bons princípios e costumes salutares.


Chegou as minhas mãos, há alguns anos, um trecho extraído do discurso proferido pelo grande orador, por ocasião da inauguração do templo da grande loja de Valparaiso, Chile, em 1872, quando disse o irmão, com rara felicidade:  


“A profissão do maçom é a mais difícil de ser exercida, porque toda ela é praticar virtudes, vencer dificuldades, semear o bem nas terras do porvir e tornar a semear o bem que se colhe. Trabalhemos, eduquemos, cultivemos com solicitude e esmero as inteligências e os corações; exerçamos nossa profissão iniciando as novas gerações, realizando o progresso nas que hoje existem; e ao pisar estes umbrais do templo, ao inclinar nossas frontes ante a grandeza dos nossos símbolos, possamos estender os braços, louvar nossa missão e exaltar com o lábio agradecido, nossas doutrinas e nossa convicções ao Supremo Criador Dos mundos”.


O maçom deve estar sempre alerta e vigilante, atento para não ser surpreendido pelo envolvimento de suas próprias imperfeições intrínsecas, porque, como ser humano, não está livre nem isento da falibilidade, do orgulho e da vaidade.


Mazzini, filósofo da unificação do povo italiano, grande maçom, considerado o apóstolo dos humildes, quando lutava pela reivindicação dos trabalhadores, seus compatriotas, procurava orientar o povo, ensinando e advertindo que a única maneira que os homens têm para fazer vitoriosos os seus direitos, é ter perfeita compreensão do cumprimento de seus deveres para com Deus, para com a humanidade e para consigo mesmo. 


Nesse mesmo sentido, devemos lembrar o presidente Kennedy, tão cedo e tão drasticamente tragado pela força do mal que impera e campeia no mundo profano, quando falou, certa vez, para os jovens soldados americanos, em que exortava, em outras palavras, que o importante não era saber o que a nação poderia oferecê-los, mas sim, o que eles poderiam oferecer para a nação. Parafraseando, meus IIr:., esse saudoso mártir,podemos, igualmente, exortar, que não basta perquirirmos o que a maçonaria pode fazer por nós, mas sim, reafirmar a indagação, perguntando o que nós podemos fazer pela maçonaria.


O comparecimento dos IIr:. às sessões de sua Loj:. com  a efetiva participação nos trabalhos desenvolvidos é indispensável. O Ir:. deve contribuir diretamente com sua ação, para que o Ven:. Mes:. possa conduzir a Loj:. num ambiente de harmonia e fraternidade, para que os IIr. tenham satisfação e alegria em comparecer às sessões, fazendo lembrar as palavras do salmista, quando disse “ alegrei-me quando me disseram, vamos à casa do Senhor”


Não é certo que o Ir:. faltoso, por cerca de dois ou três meses, ao chegar à Loj:., em vez de procurar por uma visão panorâmica dos trabalhos e dos IIr:. do Quad:., pergunte apenas ao Ir:. Tes:. : quanto devo?  Ou qual é o meu débito? Tais indagações, poderiam gerar uma resposta, em forma de pergunta: qual

débito meu Ir:., débito para com a Loj:., com os IIr:. ou com a maçonaria?
Não basta a contribuição material, estar em dia com o Ir:. Chan:. e com o Ir:. Tes:., pouco significa, porque decorre unicamente, de uma pequena parte do conjunto das obrigações assumidas. “Sois Maçom? A resposta não pode ser Meus IIr:. como contribuinte me reconhecem”.

Registra o Livro da Lei, que Jeová destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra, em consequência da extrema perversidade do seu povo. Registra, também, que o patriarca Abraão procurou interceder em favor dos moradores de Sodoma, perguntando, se ali houvessem cinqüenta justos, ainda assim, a cidade seria destruída? Se achar cinquenta justos, não a destruirei, disse o Senhor. Insistindo perguntou o Patriarca, se somente quarenta e cinco justos forem encontrados? Não a destruirei, foi a resposta. E se apenas quarenta? Também não a destruirei. Se forem encontrados apenas trinta? Pouparei a Cidade. Se ali forem encontrados apenas vinte? Insistia o Patriarca. Não a destruirei, por amor aos vinte. Finalmente, Abraão faz a última pergunta, e se forem encontrados somente dez justos? A resposta de Jeová foi a mesma: não destruirei a cidade, se encontrar apenas dez justos. Nem mesmo dez justos foram encontrados naquela cidade, que acabou põe ser destruída. 


Elevemos pois, caríssimos IIr:., os nossos pensamentos ao Sup:. Arq:. do Un:. e Senhor dos mundos, em preces ungidas de fé, para que a cadeia da fraternidade una os nossos corações, os nossos sentimentos e os nossos ideais, e assim possamos alcançar o objetivo visado, para maior grandeza de nossa sublime e sempre gloriosa instituição, e que num dialogo, como aquele acima mencionado, possa o G:.A:.D:.U:. Encontrar na maçonaria, um número inferior a dez, não de maçons, mas de antimaçons.


Sejamos maçons, obreiros livres e de bons costumes, cada um, com o coração limpo e puro, e todos irmanados nos princípios basilares de: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Assim, somente assim, seremos maçons e não estaremos maçons.


Salve a Maçonaria!


Conden. Internet

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O Tempo


Dentre todos os dons concedidos ao homem, o tempo tem lugar especial. É ele que acalma as paixões indevidas, ensinando que tudo tem sua hora e local certos.

É ele que cicatriza as feridas das profundas dores, colocando o algodão anestesiante nas chagas abertas.


É o tempo que nos permite amadurecer, através do exercício sadio da reflexão, adquirindo ponderação e bom senso.

É o tempo que desenha marcas nas faces, espalha neve nos cabelos, leciona calma e paciência, quando o passo já se faz mais lento.

É o tempo que confirma as grandes verdades e destrói as falsidades, os valores ilusórios.

O tempo é, enfim, um grande mestre, que ensina sem pressa, aguarda um tanto mais e espera que cada um a sua vez, se disponha a crescer, servir e ser feliz.

E é o tempo, em verdade, que nos demonstra, no correr dos anos, que o verdadeiro amor supera a idade, a doença, a dificuldade, e permanece conosco para sempre.

domingo, 5 de agosto de 2018

A Maçonaria e o Sentido da Vida


O que é a vida?

Quando se considera o universo e a vida que nele habita somente como um acidente cósmico sem sentido nem finalidade, perde-se o norte da própria existência. Para que, então se preocupar com os rumos do mundo e o próprio destino individual, se façamos o que façamos nada disso tem uma finalidade? Se tudo se perde, irremediavelmente, na voragem do tempo?

Será a vida apenas um fenômeno físico-químico que um acidente cósmico um dia produziu? Ou terá ela sido produzida como parte de algum projeto que envolve, não somente o seu próprio desenvolvimento, mas um plano bem maior, de escala cósmica?  E se cada vida fosse o elo de uma corrente que transmite, no tempo e no espaço, a energia criadora que faz do universo um ser vivo e convergente, que por dentro e por fora se metamorfoseia e vai adquirindo contornos e qualidades que no fim, servem á uma finalidade definida por uma Mente Universal?

São exatamente essas as perguntas e as elucubrações feitas pela Maçonaria, quando se interroga pelo sentido da vida. Um dos graus do Ritual coloca exatamente essa questão quando pergunta: “De onde viemos? O que somos? O que a morte fará de nós? Que é o homem? É apenas um átomo, gestado no corpo da mulher e que progressivamente se organiza se harmoniza em suas inúmeras partes? Que cresce, pensa, cai, transforma-se e volta á causa primária, deixando apenas reminiscência de sua última forma ou conservando uma partícula essencial, mutável e mortal? [1]

Nesse questionamento a Maçonaria enfrenta a questão metafísica que tem desafiado a mente humana através de toda a sua história de vida. Afinal, somos apenas uma sombra que passa um fenômeno despregado de qualquer sentido, que um dia aconteceu no universo como resultado de causas exclusivamente naturais, ou ele é o desvelar de uma Vontade que se manifesta e percorre um longo processo evolutivo que começou, um dia, num átomo que rompeu, por um processo ainda desconhecido, os limites da matéria inanimada?

Um maçom não pode acreditar na hipótese materialista, advogada na tese que sustenta ter a matéria às condições suficientes para explicar todos os fenômenos existentes no universo, inclusive a vida. Porque, se adotar essa crença, estará negando qualquer virtude á prática que adotou.

Se o fenômeno da vida e principalmente a do ser humano, fosse um acaso perpetrado por leis exclusivamente naturais, “um vírus” inoculado na corrente sanguínea do universo, como o definiu uma vez um romancista, então ele não teria um espírito, e não se poderia falar na existência de um Criador, e nem haveria qualquer motivo para se tentar uma união com Ele. Tudo que fazemos nesse sentido seria apenas uma simulação fantasiosa. É nesse sentido que Anderson, em suas Constituições, diz: “um maçom é obrigado a obedecer à lei moral; e se ele bem entender da arte, jamais será um estúpido ateu nem um libertino irreligioso.” [2]

Um processo dirigido

Se os materialistas estivessem certos, toda religião, bem como toda prática iniciática não passaria de uma distração infantil, que mentes incapazes de conviver com a realidade desenvolvem para mitigar a incômoda impressão de que a nossa existência não tem qualquer finalidade além daquela que os nossos sentidos nos indicam.

Mas, felizmente, temos razões para pensar que as coisas não são assim; que nós não somos apenas matéria desprovida de espírito, seres organizados por leis naturais que só obedecem ao determinismo dos grandes números. O surgimento da vida em meio á matéria universal, como está a indicar a metáfora bíblica da Criação, é fruto de um processo dirigido e bem elaborado por quem o projetou e o controla, ou seja, O Grande Arquiteto do Universo.

Mais uma vez é o grande Teilhard de Chardin que nos socorre nessa visão, mostrando como o surgimento da vida resulta de uma síntese que a união dos átomos transforma em moléculas, e estas, também por um processo de sínteses cada vez mais elaboradas, dão origem ao fenômeno humano.
Em páginas de extraordinária lucidez e envolvente poesia, esse grande pensador escreve: “Aqui reaparece, á escala do coletivo, o limiar erguido entre os dois mundos da Física e da Biologia. Enquanto se tratava apenas de um processo de mesclar as moléculas e os átomos, podíamos, para explicar os comportamentos da Matéria, recorrer ás leis numéricas da probabilidade, e contentarmo-nos com elas. 

A partir do momento em que a mônada, adquirindo as dimensões e a espontaneidade superior da célula, tende a se individualizar no seio da plêiade, desenha-se um arranjo mais complicado no Estofo do Universo. Por duas razões, ao menos, seria insuficiente e falso imaginar a Vida, mesmo tomada em seu estágio granular, como uma espécie de fervilhar fortuito e amorfo.” [3]

Quer dizer: a vida não surgiu no universo como surgem as bactérias em um processo de fermentação. Ela é, sim, o resultado de um processo, mas esse processo está longe de ser regido apenas pelas leis da natureza. Ela surge como consequência de um processo dirigido como se fosse alguém, em uma cozinha, ou um laboratório, trabalhando para fazer um bolo, ou para destilar uma bebida.

Nesse processo as bactérias surgem como resultado do processo empregado e não como obra do acaso, ou da evolução natural do processo. Por isso a notável argúcia do nosso jesuíta complementa o seu pensamento dizendo: “(…) os inumeráveis componentes que compunham, nos seus inícios, a película viva da Terra, não parecem ter sido tomados ou juntados exaustivamente ou ao acaso. Mas a sua admissão nesse invólucro primordial dá antes a impressão de ter sido orientada por uma misteriosa seleção ou dicotomia prévias (…).” [4]

Recordando Plotino

Deus é a causa atuante de todas as coisas existentes no universo. Essa foi a intuição que inspirou o filósofo Plotino há quase dois milênios atrás: “Imagine uma enorme fogueira crepitando no meio da noite,” escreveu ele. “Do meio do fogo saltam centelhas em todas as direções. Num amplo círculo ao redor do fogo a noite é iluminada, e a alguns quilômetros de distância ainda é possível ver o leve brilho desta fogueira.

À medida que nos afastamos, a fogueira vai se transformando num minúsculo ponto de luz, como uma lanterna fraca na noite. E se nos afastarmos mais ainda, chegaremos a um ponto em que a luz do fogo não mais consegue nos alcançar. Em algum lugar os raios luminosos se perdem na noite e se estiver muito escuro não vamos enxergar nada. Nesse momento, contornos e sombras deixam de existir”.

“Agora imagine a realidade como sendo esta enorme fogueira. O que arde é Deus – e as trevas que estão lá fora são a matéria fria, onde a luz está fraca, da qual são feitos homens e animais. Junto a Deus estão as ideias eternas, as causas de todas as criaturas. Sobretudo, a alma humana é uma centelha do fogo. Mas por toda a parte na natureza aparece um pouco desta luz divina. Podemos vê-la em todos os seres vivos; sim, até mesmo uma rosa ou uma campânula possuem um brilho divino. No ponto mais distante do Deus vivo está a matéria inanimada.” [5]

Plotino (205-270 e. C) é considerado o fundador da escola neoplatônica. O Gnosticismo deve a ele algumas de suas concepções mais originais, especialmente a ideia de que o verdadeiro conhecimento não pode ficar apenas no terreno intelectual, mas exige uma experiência direta dos sentidos com aquilo que se propõe a conhecer. É nesse sentido que se pode colocá-lo como precursor das chamadas escolas iniciáticas, ou seja, grupos que desenvolviam rituais com a finalidade de ”sentir” as próprias realidades que idealizavam.

Plotino é um dos inspiradores de famosos mestres do misticismo como Mestre Eckhart, Papus, MacGregor Mathers, Eliphas Levy e outros. Os autores maçons lhe votam um grande respeito e os modernos gnósticos vêem nele um precursor das teses científicas que descrevem o universo como um organismo único que se constrói através de uma rede de relações. Suas palavras são por demais eloquentes e não necessitam de comentários explicativos. Se o universo existe é porque tem uma causa de existir: essa causa é Deus.

Os rituais maçônicos e a doutrina da Cabala

Por isso é que os rituais maçônicos fazem muitas especulações sobre o sentido da vida e o papel que nós exercemos na construção da Obra do Criador. Essas especulações nos levam á conclusão de que nós não somos meras relações estatísticas derivadas de interações ocasionais ocorridas na matéria física, sem qualquer conteúdo finalístico, como pensam os adeptos do nihilismo, mas sim, unidades conscientes do todo amorfo, que só ganha forma e consistência na medida em que nós mesmos vamos encontrando o nosso lugar no desenho estrutural do universo.  [6] E com isso a Maçonaria canta um dueto bem afinado com a doutrina da Cabala. 

Para os cabalistas, nosso corpo é como uma lâmpada que se acende em meio a um quarto escuro. Brilhamos por um tempo iluminando o espaço que nos cabe como jurisdição. E quando o combustível, que é a energia encerrada em nossas células se esgota, apagamos.

O corpo é o filamento que canaliza a energia e quando ele deixa de ter condição para hospedá-la, ela o abandona. Mas a energia, como mostra a lei de Lavoiser, não se perde nem se extingue. Ela só se transforma. Ela continua a existir mesmo depois que a lâmpada que a refletia se extingue. Essa energia acenderá outras lâmpadas que também brilharão por algum tempo e depois se apagarão. Cada uma a seu tempo, preenchendo o vácuo e realizando a missão que lhe cabe. Assim a vida nos aparece como uma estrada cheia de luzes que se apagam e se acendem á medida que o tempo passa por elas e avança para o futuro.

Por isso encontraremos nos rituais maçônicos, que tratam especificamente desse tema, expressões do tipo (…) Sois uma parcela da vida universal, um germe que apareceu em um ponto do espaço infinito. Vosso ser sofreu inconscientes transformações. Tivestes sensações, depois ideias incoerentes, que mais tarde, foram se tornando precisas. Por fim vos considerastes capaz de perceber a verdade. Esta é a luz que vistes.

A humanidade levou séculos incontáveis antes de percebê-la. Nós consideramos o estado atual da nossa espécie sem que saibamos se ela está em seu começo, ou se prestes a alcançar o seu fim, e sem conhecermos seu destino, nada compreendemos do mundo a qual ela pertence (…).[7]

Dessa forma, Cabala e Maçonaria concordam que o sentido de cada vida que vivemos é fornecer o seu “quanta” de luz para a construção da Obra de Deus. E por essa razão poderemos viver várias vidas. Nasceremos e morreremos tantas vezes quantas forem necessárias para a complementação dessa obra. Por isso Jesus disse: “Assim deixai a vossa luz resplandecer diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.” [8]

Pois não é com asas que se sobe aos céus, mas com as mãos. Pela simples e singela razão contida nessa metáfora, os maçons adotaram a profissão do pedreiro como símbolo da sua Arte.

[1] O Cavaleiro do Arco Real- pgs. 14 -15 REAA
[2] As Constituições, citado, pg 12.
[3] O Fenômeno Humano, citado, pg. 94.
[4] Idem, pg. 95-Imagem de Teilhard de Chardin. Fonte Enciclopédia Barsa
[5] Jostein Garner. O Mundo de Sofia, Companhia das Letras, São Paulo, 1995. Na imagem, o filósofo Plotino.
[6] Nihilismo é a doutrina filosófica que coloca o questionamento do sentido da vida perante um universo que parece ser indiferente á tudo que nos acontece. É uma atitude de pessimismo e ceticismo perante a possibilidade de que a vida tenha aparecido no mundo para cumprir algum propósito. Nega todos os princípios religiosos, políticos e sociais, definindo-os apenas como atitudes dos sentidos, dirigidos para a necessidade de preencher o vazio da existência. Este conceito teve origem na palavra latina nihil, que significa “nada”. O principal arauto dessa doutrina foi o filosofo alemão Nietszche. Sartre retomou esse tema nas suas obras “ O Ser e o Nada” e “a Náusea”.
[7] Cf. o ritual Grau 14-REAA pg. 17/18.
[8] Mateus, 5:16. 
Fonte: http://omalhete.blogspot.com.br/2016/09/a-maconaria-e-o-sentido-da-vida.html