domingo, 8 de maio de 2016

O Tapete no Rito Schröder

O Tapete nas Lojas maçônicas tem sua origem no costume dos antigos maçons especulativos de traçar com giz ou carvão, no chão dos locais de reunião, as ferramentas do ofício de construtor. Estes desenhos eram apagados após o encerramento da Loja e refeitos antes da próxima sessão. Posteriormente, para facilitar os trabalhos passaram a ser utilizados tecidos pintados que eram estendidos no chão, tal qual um tapete. O Irmão Friedrich Ludwig Schröder resgatou este costume, enquanto outros Ritos o substituíram pelos Painéis dos Três Graus. Para as Lojas do Rito Schröder, o Tapete é o Painel da Loja e o Catecismo explica o seu simbolismo.

Na Alemanha, embora não esteja previsto no Ritual, o Tapete de Schröder é confeccionado em três tamanhos: 

a) pequeno: 90 x 120 cm; 
b) médio: 120 x 180 cm; 
c) grande: 150 x 225 cm. 

Contudo, o que o Ritual determina é a sua forma que deve ser, obrigatoriamente, retangular.

É importante salientar que o Templo do Rito Schröder – representando a Oficina de Trabalho erguida ao lado do “Templo que estamos construindo” – é despojado de símbolos, os quais estão concentrados no Tapete. As exceções são a Bíblia, o Compasso e o Esquadro – As Três Grandes Luzes da Maçonaria – que estão sobre o Altar (mesa do V.M.); e “As Três Pequenas Luzes da Maçonaria”, representadas pela chama das três grandes velas colocadas sobre os candelabros (geralmente denominados de “colunas”) no Nordeste (V.M.), Noroeste (1º Vig.) e Sul (2º Vig.) do Tapete, e que simbolizam, respectivamente: a Sabedoria, a Força e a Beleza.

Para entendermos a importância do Tapete (que o Ritual define como “a planta do Templo de Salomão”), é preciso que analisemos os significados dos objetos nele representados de acordo com a ótica humanista com forte característica ética e moral, resgatadas pelo Ir. Schröder: 

A) Martelo Pontiagudo (Escoda ou Martelo de Pedreiro): o espírito atuando sobre a matéria com sabedoria. É uma das ferramentas de trabalho dos Aprendizes no desbaste da Pedra Bruta, removendo de seu caráter os vícios e preconceitos;

B) Céu: limpo no Oriente, de onde veio a “Luz”, as Artes, a Ciência. Nublado no Ocidente, onde o Sol se põe e onde, simbolicamente, estão os que ainda não alcançaram o conhecimento maçônico pleno;

C) Colher de Pedreiro (usualmente denominada “Trolha”): a proteção da Obra contra más influências;

D) Esquadro: o Dever, a Justiça, a equidade e a retidão de caráter. Lembra a igualdade de todos os maçons perante a Lei e o limite moral das nossas ações perante nossos semelhantes. É a ferramenta e a joia do Venerável Mestre, que deve ser um modelo inflexível no cumprimento do dever, na correção moral e na aplicação da Justiça; 

E) Nível: a igualdade entre os Irmãos, e o emprego correto dos conhecimentos. Lembra ao maçom que todas as coisas devem ser avaliadas com igual serenidade, imparcialidade e tolerância. É a ferramenta e a joia do 1° Vigilante;

F) Muro que protege a Loja dos olhos e ouvidos dos “não-maçons”. Neste muro estão os nichos que abrigam as diversas ferramentas usadas na construção (Esquadro, Nível, Prumo, etc.);

G) Pedra Bruta: é a imagem da alma sem instrução e em seu estado natural. Representa o Aprendiz iniciando sua caminhada maçônica, estudando para adquirir os conhecimentos do seu Grau e a sua aplicação e interpretação filosófica;

H) Pedra Cúbica: é a obra prima que o Aprendiz entregará ao Companheiro (ele mesmo, em outro estágio de evolução). O Companheiro deverá polir a Pedra em busca da perfeição espiritual e intelectual, seu Trabalho inicia no ponto em que parou como Aprendiz;

 I) Porta do Or. -  V.M;
J) Porta do Oc.-  1° Vig;             
L) Porta do Sul-  2° Vig 

Representam as portas do Templo de Salomão, do qual historicamente derivam os Templos das Igrejas e da Maçonaria e também o V.M. e os Vigilantes que devem, em primeiro lugar, proteger a Loja.

M) Prumo: o sentido reto de nosso julgamento. A pesquisa (o estudo) em profundidade. É a ferramenta e a joia do 2° Vigilante;

N) Régua de 24 polegadas: a divisão do tempo com sabedoria, a precisão na execução, a retidão de conduta. É uma das mais importantes ferramentas de trabalho do maçom, pois o Mestre a utiliza para a elaboração do projeto da Obra; o Companheiro para medir, concluindo o trabalho de polir a Pedra Cúbica; o Aprendiz a utiliza, em conjunto com o Alvião, para traçar e marcar a Pedra Bruta para o desbaste.

O) Representação gráfica do 47° Problema de Euclides, conhecido como “O Teorema de Pitágoras”, cuja demonstração é: em um triângulo retângulo (a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa). É a representação da Prancheta e da Joia imóvel (ou fixa) do Mestre. É também, em muitos Ritos, a joia do ex-Venerável (Past Master ou AltStuhlMeister) e representa a perfeição e a universalidade das Leis do G. A. D. U., por que a Verdade Matemática que o Teorema traduz é imutável em qualquer ponto do Universo.

 Conclusão

O escritor e ex-Grão-Mestre, Albert Pike (1809-1891), declarou ser um privilégio inalienável para o maçom interpretar para si mesmo os símbolos da Maçonaria.

No sentido amplo, símbolo é um sinal ou objeto ao qual se dá uma significação moral. Para a Psicologia, é a ideia consciente que representa e encerra a significação de outra ideia inconsciente. 

Assim, nós devemos refletir sobre cada objeto, ferramenta ou sinal para os quais existem e podemos atribuir muitos significados. A abrangência destas interpretações depende do nosso estágio individual de conhecimento e percepção, estágio este que é simbolicamente representado pelos três Graus da Maçonaria Simbólica.

Os conhecimentos obtidos devem ser aplicados em nosso dia a dia, fazendo-nos crescer como seres humanos e cidadãos. Melhorar a nós mesmos e, por decorrência, a Sociedade que nos cerca, tornando-a mais justa, humanitária e fraterna, é a finalidade e Grande Obra da Maçonaria.

Comentário final: o Compasso que, para o maçom, representa os limites, não está representado no Tapete por ser a “Joia do Grão-Mestre”, que é quem estabelece os limites na Maçonaria.  

Rui Jung Neto 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O que é Dogma:

Dogma é um termo de origem grega que significa literalmente “o que se pensa é verdade”. Na antigüidade, o termo estava ligado ao que parecia ser uma crença ou convicção, um pensamento firme ou doutrina.

Posteriormente passou a ter um fundamento religioso em que caracteriza cada um dos pontos fundamentais e indiscutíveis de uma crença religiosa. Pontos inquestionáveis, uma verdade absoluta que deve ser ensinada com autoridade.

Além do cristianismo, os dogmas estão presentes em outras religiões como o judaísmo ou islamismo. Os princípios dogmáticos são crenças básicas pregadas pelas religiões, que devem ser seguidas e respeitados pelos seus membros sem nenhuma dúvida.

Quem os rejeita pode incorrer em crimes variáveis de acordo com a religião. Na Igreja Católica o crime de heresia aconteceu no período da Idade Média, em que as pessoas acusadas eram excomungadas ou perseguidas através da Inquisição.


Os dogmas proclamados pela Igreja Católica devem ser aceitos como verdades reveladas por Deus através da Bíblia. São irrevogáveis e nenhum membro da Igreja, nem mesmo o Papa, tem autoridade para os alterar. São exemplos de dogmas a Existência de Deus e da Santíssima Trindade, Jesus Cristo é Filho Natural de Deus, a Virgindade e Assunção de Maria, entre outros.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Quanto vale meia?

Na recepção dum salão de convenções, em Fortaleza*
- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
- Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
- Sou de Maputo, Moçambique.
- Da África, né?
- Sim, sim, da África.
- Aqui está cheio de africanos, vindos de toda parte do mundo. O mundo está cheio de africanos.
- É verdade. Mas se pensar bem, veremos que todos somos africanos, pois a África é o berço antropológico da humanidade…
- Pronto, tem uma palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
- Meia oito.
- Podes escrever?
- Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito, assim, veja: 68
- Ah, entendi, *meia* é *seis*.
- Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação: A organização do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material: DVD, apostilas, etc., gostaria de encomendar?
- Quanto tenho que pagar?
- Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam *meia*.
- Hmmm! que bom. Ai está: *seis* reais
- Não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
- Pago meia? Só cinco? *Meia* é *cinco*?
- Isso, meia é cinco
- Tá bom, *meia* é *cinco*.
- Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
- Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
- Não, ainda faltam dez minutos. Como falei, só começa às nove e meia.
- Pensei que fosse as 9:05, pois *meia* não é *cinco*? Você pode escrever aqui a hora que começa?
- Nove e meia, assim, veja: 9:30- Ah, entendi, *meia* é *trinta*.
- Isso, mesmo, nove e trinta. Mais uma coisa senhor, tenho aqui um folder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está hospedado?
- Sim, já estou na casa de um amigo.
- Em que bairro?
- No Trinta Bocas.
- Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
- Isso mesmo, no bairro *Meia* Boca.
- Não é meia boca, é um bairro nobre.
- Então deve ser *cinco* bocas.
- Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim porque há um encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
- Acabou?
- Não. Senhor é proibido entrar no evento de sandálias. 
Coloque uma meia e um sapato...

terça-feira, 3 de maio de 2016

O Poder do Silêncio

Aprende com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua alma, a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos. Aprende com o silêncio a respeitar a opinião dos outros, por mais contrária que seja da sua.

Aprende com o silêncio a aceitar alguns fatos que você provocou, a ser humilde deixando o orgulho gritar lá fora. Aprende com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido, evitar reclamações vazias e sem sentido.

Aprende com o silêncio que a solidão não é o pior castigo, existem companhias bem piores….
Aprende com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamos olhar para o lado certo,
ouvir a música certa, ler o livro certo, que pode ser qualquer livro, desde que você o leia até o fim.

Aprende com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar,
os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar, como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo, complete a sua tarefa.

Aprende com o silêncio a respeitar a sua vida, valorizar o seu dia, enxergar em você as qualidades que você possui, equilibrar os defeitos que você tem e sabe que precisa corrigir e enxergar aqueles que você ainda não descobriu.

Aprende com o silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito, na maior das cobranças, na briga mais acalorada, na discussão entre familiares. Aprende com o silêncio a respeitar o seu “eu”, a valorizar o ser humano que você é, a respeitar o Templo que é o seu corpo, e o santuário que é a sua vida.

Aprende hoje com o silêncio, que gritar não traz respeito, que ouvir ainda é melhor que muito falar,
e em respeito a você, eu me calo. Me silencio, para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe falar, desejar-lhe um dia vitorioso e confirmar que você é especial.

Paulo Roberto Gaefke

domingo, 24 de abril de 2016

Onde está Deus

Onde está Deus?  Pergunta o cientista, Ninguém O viu jamais. 

Quem Ele é?  Responde às pressas o materialista:  - Deus é somente uma invenção da  fé! 

O pensador dirá, sensatamente: - Não vejo Deus, mas sinto que Ele existe!  A natureza mostra claramente em que o poder do Criador consiste. 

Mas o poeta dirá, com segurança de quem afirma porque tem certeza: 
- Eu vejo Deus no riso da criança, no céu, no mar, na luz da natureza! 

Contemplo Deus brilhando nas estrelas, no olhar das mães fitando os filhos seus, nas noites de luar claras e belas, em tudo pulsar o coração de Deus! 

Eu vejo Deus nas flores e nos prados, nos astros a rolar pelo infinito, escuto Deus na voz dos namorados, E sinto Deus na lágrima do aflito! 

Percebo Deus na frase que perdoa, contemplo Deus na mão que acaricia, Escuto Deus na criatura boa e sinto Deus na paz e na alegria! 

Eu vejo Deus no médico salvando, pressinto Deus na dor que nos irmana, descubro Deus no sábio procurando compreender a natureza humana! 

Eu vejo Deus no gesto de bondade, escuto Deus nos cânticos do crente, percebo Deus no sol, na liberdade e vejo Deus na planta e na semente! 

Eu vejo Deus, enfim, por toda parte, que tudo fala dos poderes seus, descubro Deus na expressão da arte, no amor dos homens também sinto Deus! 


Mas onde sinto Deus com mais beleza, na sua mais sublime vibração, não é no coração da natureza, é dentro do meu próprio coração.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

21 De Abril- Tiradentes

O MARTÍRIO DE TIRADENTES:  UMA FARSA CRIADA POR LÍDERES DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Ele estava muito bem vivo, um ano depois, em Paris. O feriado de 21 de abril é fruto de uma história fabricada que criou Tiradentes como bode expiatório, que levaria a culpa pelo movimento da Inconfidência Mineira. Quem morreu no lugar dele foi um ladrão chamado Isidro Gouveia.

A mentira que criou o feriado de 21 de abril é: Tiradentes foi sentenciado à morte e foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, no local chamado Campo da Lampadosa, que hoje é conhecido como a Praça Tiradentes. 

Com a Proclamação da República, precisava ser criada uma nova identidade nacional. Pensou-se em eternizar o Marechal Deodoro, mas o escolhido foi Tiradentes. Ele era de Minas Gerais, estado que tinha na época a maior força republicana e era um polo comercial muito forte. 

Jogaram ao povo uma imagem de Tiradentes parecida com a de Cristo e era o que bastava: um “Cristo da Multidão”. Transformaram-no em herói nacional cuja figura e história “construída” agradava tanto à elite quanto ao povo.

A vida dele em poucas palavras: Tiradentes nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José e São João Del Rei (MG). Era filho de um pequeno fazendeiro. Ficou órfão de mãe aos nove anos e perdeu o pai aos 11. Não chegou a concluir o curso primário. 

Foi morar com seu padrinho, Sebastião Ferreira Dantas, um cirurgião que lhe deu ensinamentos de Medicina e Odontologia. Ainda jovem, ficou conhecido pela habilidade com que arrancava os dentes estragados das pessoas. Daí veio o apelido de Tira-Dentes. 

Em 1780, tornou-se um soldado e, um ano à frente, foi promovido a alferes. Nesta mesma época, envolveu-se na Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa, que explorava o ouro encontrado em Minas Gerais. 

Tiradentes foi iniciado na Maçonaria pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes. Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, não se sabe em que circunstâncias.

Tiradentes, Maçonaria e a Inconfidência Mineira:

Como era um simples alferes (patente igual à de tenente), não lideraria coronéis, padres e desembargadores, que eram os verdadeiros líderes do movimento. Semi-alfabetizado, é muito provável que nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos do movimento. 

Em todos os movimentos libertários acontecidos no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, era comum o "dedo da Maçonaria". E Tiradentes foi maçom, mas estava longe de acompanhar os maçons envolvidos na Inconfidência, porque esses eram cultos, e em sua grande parte, estudantes que haviam recentemente regressado "formados” da cidade de Coimbra, em Portugal. 

Uma das evidências documentais da participação da Maçonaria são as cartas de denúncia existentes nos autos da Devassa, informando que maçons estavam envolvidos nos conluios.

Os maçons brasileiros foram encorajados na tentativa de libertação, pela história dos Estados Unidos da América, onde saíram vitoriosos - mesmo em luta desigual - os maçons norte-americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. Também é possível comprovar a participação da Maçonaria na Inconfidência Mineira, sob o pavilhão e o dístico maçônico do Libertas Quae Sera Tamen, que adorna o triângulo perfeito, com este fragmento de Virgílio (Éclogas, I, 27).

Tiradentes era um dos poucos inconfidentes que não tinha família. Tinha apenas uma filha ilegítima e traçava planos para casar-se com a sobrinha de um padre chamado Rolim, por motivos econômicos. Ele era, então, de todo o grupo, aquele considerado como uma “codorna no chão”, o mais frágil dos inconfidentes. Sem família e sem dinheiro, querendo abocanhar as riquezas do padre. Era o de menor preparo cultural e poucos amigos. Portanto, a melhor escolha para desempenhar o papel de um bode expiatório que livraria da morte os verdadeiros chefes.

E foi assim que foi armada a traição, em 15 de março de 1789, com o Silvério dos Reis indo ao Palácio do governador e denunciando o Tiradentes. Ele foi preso no Rio de Janeiro, na Cadeia Velha e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação por pena de morte. 

Em 21 de abril de 1792, com ajuda de irmãos da Maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela Maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos.

No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa ("Narrativa da Perseguição") é documentada a diferença física de Tiradentes com o que foi executado em 21 de abril de 1792. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro "Contribuindo", de 1921: "Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito...".

O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada, uma vez que sumiram com ela para não ser descoberta a farsa. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio ou absolvidos.

A descoberta da farsa:

Em 1969, o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença da galeria da Assembléia Nacional francesa de 1793. Correa pesquisava sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e acabou encontrando a assinatura que era o objeto de suas pesquisas. 

Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. Correa era funcionário do Banco do Brasil, se formara em grafotécnica e, por um acaso do destino, havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Concluiu que as semelhanças eram impressionantes.

Tiradentes teria embarcado incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Junto com Tiradentes seguiu sua namorada, conhecida como Perpétua Mineira e os filhos do ladrão morto Isidro Gouveia. 

Em uma carta que foi encontrada na Torre do Tombo, em Lisboa, existe a narração do autor, desembargador Simão Sardinha, na qual diz ter-se encontrado, na Rua do Ouro, em dezembro do ano de 1792, com alguém muito parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que ao reconhecê-lo saiu correndo. 

Há relatos que 14 anos depois, em 1806, Tiradentes teria voltado ao Brasil quando abriu uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, na rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e que morreu em 1818.

Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da Nação Brasileira.

Guilhobel Aurélio Camargo

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Tipos de Lojas

LOJA - a que conhecemos e onde fomos iniciados. É um grupo de maçons reunidos, onde desenvolvemos um Ritual de forma litúrgica.

LOJA de ADOÇÃO - nome dado às Lojas mistas surgidas na França, permitindo o ingresso de mulheres em 1.772

LOJA à DESCOBERTO - é quando os membros de uma Loja regular, por qualquer motivo, não podem se reunir em um templo, o farão em qualquer local, mesmo à céu aberto. Nesse caso somente assuntos administrativos poderão ser tratados.

LOJA ADORMECIDA - É quando a Loja está “dormindo” e seus trabalhos suspensos por um período que ultrapasse o convencional inserido em seus estatutos.

LOJA de EMERGÊNCIA - Um Grão Mestre tem o poder, de em caso emergência, constituir uma Loja e chamar os obreiros para os trabalhos regulares.

LOJA MÃE – diz-se assim quando ocorrem duas circunstâncias distintas: será Loja Mãe aquela que devido ao grande número de filiados, tem necessidade de formar outro corpo; a nova Loja terá, naquela que lhe deu origem sua Loja Mãe. Também se chama Loja Mãe, aquele que o iniciou como maçom.

LOJA MILITAR - Surgiram na Inglaterra, e abrigavam exclusivamente Oficiais do Exército e da Marinha. Os navios ingleses, em sua maioria, estabeleciam essas Loja Militares. A França e outros países, também passaram a criar suas Lojas militares.

LOJA OCASIONAL - é criada exclusivamente para iniciar novos maçons. Somente o Grão Mestre tem o Poder de estabelecer esse tipo de Loja. Concluída a cerimônia, e geralmente Sete iniciados, esses, por sua vez, fundam uma nova Loja e a Loja Ocasional é dissolvida.

LOJA PROVISÓRIA - nenhuma Loja pode ser Provisória; o que é provisória e a autorização para seu funcionamento. Assim a Obediência, não expede a Carta Constitutiva definitiva, antes de comprovar a sua capacidade com os regulamentos no trabalhos. A Carta Constitutiva será dada após um ano de atividade regular.

Rizzardo da Camino