quinta-feira, 23 de abril de 2020

A Maçonaria na Presente Emergência


A Maçonaria transporta no seu seio tradições e valores que se vão actualizando através dos tempos. Assim acontece nesta época de emergência sanitária e social devido ao Coronavirus- 19

É claro que devemos estar atentos às ameaças à Liberdade que nos assolam de vários quadrantes – como dizia Fernando Pessoa no corajoso e lúcido artigo do Diário de Lisboa – devemos ser tolerantes excepto quando regimes e ideologias ameaçam a nossa liberdade. Também a nossa vigilância deve exercer-se no domínio das ameaças aos nossos valores e direitos humanos, como por exemplo sugestões que ocorrem vindas de uma certa ciência e uma certa política que quer asfixiar as nossas vidas, confinando idosos e monitorizando os nossos passos. Se é certo que o confinamento tem sido necessário e útil para combater a doença, a tentação totalitária de instalar um certo darwinismo sanitário ameaça a vida dos velhos que não estejam infectados e pouco ou nada acrescenta à saúde publica. Ao mesmo tempo a monitorização da nossa vida social se poderá ser eventualmente justificada nestes tempos, ela corre o risco de se eternizar se os cidadãos não exercerem a sua opinião crítica e denúncia frontal.

Por último há que referir a sagrada obrigação do Maçom que é a de exercer a solidariedade, auxiliando os mais pobres e mais necessitados. É claro que o Estado e seus Governos têm a obrigação de prover a essas necessitados, mas as organizações maçónicas, Obediências e Lojas, e os Maçons a nível individual tem de cumprir o dever de Fraternidade em relação aos outros homens, uma “beneficência activa e esclarecida” que nada tem a ver com a “caridadezinha”. A solidariedade que os Maçons exercem dentro das Lojas tem de sair para fora delas, à luz do dia e tudo isto para o Bem da Humanidade e à Glória do Grande Arquitecto do Universo.

José Manuel Anes – Antigo Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

Lisboa, 23 de Abril de 2020 - Publicado em Freemason

Corda de 81 nós


A Corda de Oitenta e Um Nós circunda a Loja, simbolizando a União e a Fraternidade que deve existir entre todos os maçons da face da Terra.

É um dos ornamentos do Templo, e encontra-se no alto das paredes, junto ao teto e acima das colunas zodiacais. Sua origem mais remota parece estar nos antigos canteiros - trabalhadores em cantaria medievais, que cercavam o seu local de trabalho com estacas, às quais eram presos anéis de ferro, que, por sua vez, ligavam-se, uns aos outros, através de elos, havendo uma abertura apenas na entrada do local.


O nó central dessa corda deve estar acima do dossel sobre o trono do Venerável Mestre, tendo, de cada lado, quarenta nós, que se estendem pelo Norte e pelo Sul; os extremos da corda terminam no Ocidente, em ambos os lados da porta de entrada, em duas borlas, representando a Justiça e Eqüidade e Prudência e Moderação.

Alguns autores afirmam que a abertura da corda, em torno da porta de entrada do templo, com a formação das borlas, simboliza o fato de estar, a Maçonaria, sempre aberta para acolher novos membros, e receptiva a novas idéias, que contribuam para a evolução do Homem e para o progresso da humanidade.

O simbolismo da Corda é bem mais antigo, segundo alguns autores no começo do século dezoito se marcava no solo, com giz, os símbolos da ordem, e estes eram circundados por uma corda, ornamentada de borlas.

Esotericamente, a Corda de 81 Nós simboliza a união fraternal e espiritual, que deve existir entre todos os maçons; representa, também, a comunhão de idéias e de objetivos da Maçonaria, os quais, evidentemente, devem ser os mesmos, em qualquer parte do mundo, simbologia que todo maçom deve ter em sua mente em toda circunstância de sua vida.
A Corda de Oitenta e Um Nós circunda a Loja, simbolizando a União e a Fraternidade que deve existir entre todos os maçons da face da Terra.

É um dos ornamentos do Templo, e encontra-se no alto das paredes, junto ao teto e acima das colunas zodiacais. Sua origem mais remota parece estar nos antigos canteiros - trabalhadores em cantaria medievais, que cercavam o seu local de trabalho com estacas, às quais eram presos anéis de ferro, que, por sua vez, ligavam-se, uns aos outros, através de elos, havendo uma abertura apenas na entrada do local.


O nó central dessa corda deve estar acima do dossel sobre o trono do Venerável Mestre, tendo, de cada lado, quarenta nós, que se estendem pelo Norte e pelo Sul; os extremos da corda terminam no Ocidente, em ambos os lados da porta de entrada, em duas borlas, representando a Justiça e Eqüidade e Prudência e Moderação.

Alguns autores afirmam que a abertura da corda, em torno da porta de entrada do templo, com a formação das borlas, simboliza o fato de estar, a Maçonaria, sempre aberta para acolher novos membros, e receptiva a novas idéias, que contribuam para a evolução do Homem e para o progresso da humanidade.

O simbolismo da Corda é bem mais antigo, segundo alguns autores no começo do século dezoito se marcava no solo, com giz, os símbolos da ordem, e estes eram circundados por uma corda, ornamentada de borlas.

Esotericamente, a Corda de 81 Nós simboliza a união fraternal e espiritual, que deve existir entre todos os maçons; representa, também, a comunhão de idéias e de objetivos da Maçonaria, os quais, evidentemente, devem ser os mesmos, em qualquer parte do mundo, simbologia que todo maçom deve ter em sua mente em toda circunstância de sua vida.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

 Rituais e Símbolos Maçônicos: Uma filosofia particular?


Para o desenvolvimento contínuo dos graus propostos do 1º ao 30º, todo Maçom é colocado numa posição de descobrir a riqueza dos múltiplos significados dos símbolos maçônicos. Eles abrem um mundo alegórico estruturado, significativo, oferecendo a possibilidade de numerosos desenvolvimentos filosóficos entendidos no sentido amplo, que demonstra que a Maçonaria oferece um sistema abrangente e coerente, permitindo a qualquer iniciado completar a sua iniciação de outra forma que não a virtual.

A Maçonaria apresenta uma abordagem original visando despertar ou reativar a interioridade do ser para promover a abertura da sua consciência, cuja constante simbólica principal será uma viagem na escuridão em direção à Luz. Isto vai desdobrar-se gradualmente grau após grau, para transcender e unificar com clareza qualquer forma de dualidade. Os graus do 15 ao 30 são enriquecidos pela influência de várias tradições, incluindo a bíblica, cavalheiresca, hermética, Rosa-Cruz e gnóstica, bem como um fundo lendário que sugere uma pluralidade de sentidos. Estes graus podem ser considerados graus filosóficos tanto pela sua origem como pelo seu simbolismo. Esta versatilidade confere-lhes uma natureza universal.
O foco é colocado sobre a aquisição de virtudes e da Virtude no grau de aprendiz. Quando da sua admissão, todo o candidato é reconhecido como livre e de bons costumes, uma condição sine qua non para ser admitido à iniciação.
A Virtude aparece aqui como um estilo de vida que nasce da força em si mesma. Ela é um suporte contínuo da ação e supõe uma intenção de realizar o bem em si mesmo de uma forma cada vez mais eficaz e refletida. A sua busca corresponde a uma tomada de consciência da fragilidade como a fraqueza da condição humana. É uma conquista de lucidez que atravessa do abandono voluntário dos vícios e paixões, designados sob o nome de metais, para aceder à força da libertação interior que é a verdadeira liberdade. A Virtude é sinónimo de força e grandeza da alma.
O iniciado busca a luz, porque ela é para ele um símbolo do Princípio e do Absoluto. A jornada da alma, do berço à passagem ao Oriente eterno, é a busca deliberada de um caminho de vida que exige libertar-se de todas as suas zonas de sombras para elevar-se espiritualmente em direção desta Luz inefável.

Ser reconhecido Livre e de bons costumes
A qualidade da liberdade reivindicada na admissão à Maçonaria consiste em uma disposição pessoal interior. Ela exige ter a vontade de se libertar de tudo o que não é essencial para a sua realização espiritual. Isto requer empregar o tempo que for necessário para avançar para este objetivo. Os bons costumes exigem uma vontade de superar os vícios e paixões que mantêm o ser em um estado de dependência.

O espírito de fraternidade
Uma prática que se torna um dever é o espírito de fraternidade que estabelece e favorece as relações e as trocas entre indivíduos de meios sociais-culturais, religiosas e políticos diferentes. A fraternidade é uma ética de vida onde se não se encontra nem o espírito competitivo nem o da concorrência, e que vai, obviamente, completamente contra o estado de espirito dominante na sociedade atual. Tratar o seu próximo como irmão e amá-lo como a si mesmo, o que exige de cada Maçom a prática da fraternidade iniciática ligada a um despertar da consciência que se origina em uma Sabedoria especialmente iluminada.

Dever e Liberdade
O dever não é definido como um constrangimento, mas como uma obrigação moral livre que é sempre possível ignorar. O fato de se ser capaz de fugir do constrangimento, de desobedecer e transgredir as proibições tem a sua origem na boa ou má gestão do livre arbítrio de cada um e na mesma liberdade individual. Na verdade, se as restrições são uma alienação da liberdade, por outro lado, os deveres permitem lançar os alicerces de um edifício, proporcionando uma regra a seguir. A expressão da liberdade do Maçom, bem entendido, é o próprio Dever.

Silêncio e segredo
O silêncio e o segredo estão intimamente ligados ao longo do processo iniciático. O silêncio revela a arte de ouvir e respeitar um ao outro. Saber segurar a palavra quando é imprudente se exprimir, saber manter o silêncio diante de uma pessoa que não é capaz de entender é o primeiro passo em direcção ao autocontrole. Guardar o segredo e permanecer fiel ao seu compromisso são os dois eixos principais a seguir. Querer impor, sem discernimento, uma verdade ou conceito a alguém que não está pronto para recebê-lo é claramente um erro, porque sem a compreensão a pessoa só poderá ter uma atitude hostil e preconceituosa devido à preocupação ou perturbação ressentida.
Toda sociedade iniciática, toda confraria que realiza uma selecção para a admissão dos seus membros, mune-se, ipso facto, de um aspecto secreto ou oculto, fechado a todo público considerado profano. As noções e conceitos de segredo fazem parte da maçonaria e remontam a um juramento feito pelo iniciado desde o seu início, e atestado pela sua presença nos manuscritos maçônicos mais antigos conhecidos, desde 1696. Toda organização iniciática não pode revelar o seu segredo ou segredos porque eles são incomunicáveis e ligados ao grau de entendimento, de realização e de despertar da consciência de cada iniciado. O segredo disto é pessoal, individual e, finalmente, inefável; ele não se revela a não ser na experiência íntima do sujeito.

Espírito de tolerância
A tolerância é um estado de espírito construtivo sem preconceitos que exige saber escutar, observar e sempre conhecer melhor o seu próximo, sem o julgar. A aceitação da diferença do outro é um passo no caminho para a abstenção de juízo. É um reconhecimento do direito à diferença. A tolerância é uma atitude de espírito pela qual é proibido fazer um juízo de valor definitivo, que aprisionará a pessoa em questão numa grade de leitura restritiva e limitada a apenas algumas aparências específicas. A tolerância não deve, contudo, levar a aceitar tudo. É preciso estar ciente do que é compromisso impossível e que não podemos conciliar tudo. Não julgar, é estar imbuído deste espírito de tolerância que permite aceder uma forma de sabedoria, de entendimento, de escuta e aplicação efetiva dos princípios iniciáticos, esclarecidos pelos valores mais elevados.

Pesquisa do Conhecimento, da Verdade e da Luz
É necessário distinguir o Saber do Conhecimento. O saber pode ser definido como sendo de natureza secular e externa ao ser. Ele responde aos critérios de racionalidade objectiva. Pode-se considera como uma acumulação de dados enquanto que o Conhecimento é de ordem metafísica. Ela toca a interioridade e a essência sutil das coisas, porque ele propõe uma visão coerente e abrangente do universo.
A busca da verdade é complexa porque existe um conjunto de verdades relativas que se aproximam da Verdade Absoluta, sem, contudo, atingir a Verdade transcendente. Livros sagrados, contos, lendas e sistemas filosóficos expressam, todos, uma parcela de verdade. Mas ninguém, em termos absolutos, pode pretender deter toda a verdade. Em essência, esta Verdade é adogmática. Querer aprisioná-la na estrutura rígida de um sistema é destruir todas as condições necessárias para a sua apreensão.
Todo ser, homem ou mulher, não pode ser verdadeiro e buscar a Verdade, se não é decididamente “um ser livre e de bons costumes”. Toda busca pela verdade exige lutar contra todas as formas de preconceito, erros e abusos de todos os tipos, permanecendo firmemente apegado à vontade de não se desviar dela e servir a nobre causa da justiça.
A via iniciática permite subir em direcção à Luz, sob a condição de ter sabido descer anteriormente ao mais profundo da sua própria escuridão. A importância da descida é proporcional à capacidade da elevação.
Esta Luz, símbolo essencial da busca iniciática desdobra-se gradualmente grau após grau, permitindo liberar gradualmente as suas zonas de sombras e encontrar uma unidade em si mesmo.

Filosofia da média justa e do equilíbrio
Um autocontrole autêntico conduz a uma liberação do pensamento por uma elevação do espírito em direção à Luz e a Verdade, que contribui para o aperfeiçoamento do comportamento do Maçom. É o amor ao Bem, ao Belo, ao Verdadeiro e ao Justo que permite progredir em direcção a esta Luz inefável, a do seu mestre interior, que cada um deve ser capaz de encontrar em si mesmo. Estes graus propõem desenvolvimentos da lenda de Hiram. Eles lembram a importância do aprofundamento do dever e a necessidade de reunir o que está espalhado nessa busca árdua, mas essencial da Palavra Perdida.
No grau de Mestre, o iniciado cruza um limite e se encontra no coração de uma dramaturgia composta de episódios cuja continuação só é perceptível através do acesso aos graus além do grau de Mestre cujos elementos filosóficos e simbólicos estão imbricados uns com os outros. Ao fazer isto, eles trazem uma sucessão de esclarecimentos adicionais sobre o grau de Mestre. Estes graus, chamados de “graus de perfeição” são aqueles que vão do grau 4 ao 14. Eles traçam o Caminho de uma progressão que permite aprofundar o sentido da Virtude no seu ideal mais alto. A conclusão dada a lenda de Hiram coloca em evidência os conceitos fundamentais que são a vingança e a justiça.

Vingança ou Justiça
Isto levanta a questão de se exercitar a vingança ou a justiça sobre os assassinos do Arquiteto. Os graus de Eleitos convidam a seguir, em todas as circunstâncias e imperativamente, o único caminho exigente da sua consciência.
Esta sucessão de rituais propõe-se a dar uma conclusão moral ao assassinato do Mestre desaparecido e fechar o ciclo de lenda de Hiram Abiff.
A busca do Caminho do Meio exige saber coordenar as suas ações com os seus princípios. O Mestre deve realizar um esforço sutil para harmonizar os antagonismos. A este respeito, convém notar que o essencial do ensinamento iniciático é oferecido nos rituais dos três primeiros graus. No entanto, o seu estudo necessita, para não dizer exige, um aprofundamento proposto pelo progresso contínuo do conjunto dos graus, do Mestre Secreto ao Cavaleiro Kadosh, sugerindo uma busca e um compromisso permanentes.
Três graus, designados sob o nome de graus de Eleitos resumem o percurso iniciático dos três primeiro graus, aprendiz, companheiro e mestre, mas vividos num novo ciclo. O primeiro, ou Eleito dos Nove, evoca a transgressão da lei e destaca os perigos e malefícios dos impulsos vingativos. O segundo, ou Eleito dos Quinze, faz passar da vingança à justiça colectiva, para que todas as paixões sejam esgotadas. O terceiro, enfim, é uma forma de consagração do iniciado que é reconhecido como Emerek, ou verdadeiro Homem em todas as circunstâncias, isto é, um autêntico Mestre Maçom. Ele marca a conclusão do ciclo do assassinato do arquiteto do templo e a morte dos seus assassinos, o que convida à reflexão sobre os problemas da justiça e da vingança. Pode-se definir a vingança como justiça individual expedita, sob o impulso da paixão e da cegueira, enquanto que o senso de justiça é uma abordagem que se origina de um consenso de reparação, de acordo com a lei da ação e reação, com a vontade de punir os criminosos por um ato equivalente em troca. Renunciar à vingança pessoal para passar à justiça colectiva é próprio de verdadeira mestria que converte a sombra em luz, e ajuda a estender a equidade ao plano social.
A vingança é uma forma de justiça que segundo a lei de talião é necessário ao justiceiro encontrar uma compensação e um alívio. Portanto, a questão se coloca, um indivíduo isolado pode arrogar-se o direito de julgar e fazer justiça de acordo com os seus sentimentos e não com o direito? Podemos considerar a justiça como o estabelecimento de uma relação de equilíbrio entre os homens.

Alquimia e Maçonaria
A Alquimia, assim como a Maçonaria, propõe uma meditação simbólica profunda. A alquimia é baseada num amplo sistema cosmogónico que se refere à Unidade primordial manifestada em três reinos: mineral, vegetal, animal. O Rito Escocês Antigo e Aceito, no conjunto dos seus graus, empresta muita coisa da alquimia. Isto é tanto mais compreensível vez que a Maçonaria e alquimia têm em comum a regeneração do ser e a realização espiritual. Há uma clara semelhança entre os temas alegóricos usados no método simbólico e iniciático, tanto em alquimia quanto na Maçonaria. Na alquimia, o vil chumbo deve ser transformado, durante purificações e transmutações para se tornar ouro. Na Maçonaria, a pedra bruta lavrada a que é identificado o aprendiz será cortada e polida para se tornar perfeita a ter lugar no edifício sagrado.
Em um processo alquímico muito específico, o Maçom é convidado a visitar o interior da terra e se corrigir, ou seja, purificar-se, para encontrar a pedra oculta dos sábios, ou a pedra filosofal. Exige-se dele que aceite os métodos de aprendizagem para aprender profundamente a corrigir em si mesmo o que precisa ser corrigido, portanto, saber transmutar o seu chumbo em ouro. Esta transmutação implica um ideal de perfeição que tende à sabedoria. Todas estas mutações levam o mestre de encontrar o seu verdadeiro lugar, a sua função na terra e atingir o seu pleno potencial de acordo com as suas habilidades, dando sentido à sua vida.

O espírito da cavalaria
O termo cavaleiro é o título genérico trazido ao Rito Escocês Antigo e Aceito pelos detentores dos graus 15 ao 30, inclusive; ou seja, do Cavaleiro do Oriente e da Espada até o Cavaleiro Kadosh.
Podemos considerar que o conjunto desta sucessão de títulos de Cavaleiros empresta ao Mestre Maçom uma forma de nobreza pela qual é reconhecida a sua capacidade de adquirir e praticar virtudes cavalheirescas. O acesso a um certo grau de iniciação, a partir dos graus capitulares corresponde a um enobrecimento natural do ser. Isto recorda a origem da instituição da nobreza que inicialmente não era herdada.
A função cavalheiresca envolve a luta contra o mal, o autocontrole, uma ética moral através da prática de sentimentos nobres e elevados, em que a generosidade e grandeza de alma é colocada a serviço dos pobres e dos oprimidos.
Encontramos este espírito na divisa do grau, Vencer ou Morrer. Embora a Cavalaria tenha desaparecido enquanto instituição social, a Maçonaria propõe conservá-la através do ensino das virtudes que a caracterizaram, especialmente neste grau que premia os Eleitos pela sua virtude.
O dever mais importante da Maçonaria é consagrar-se à prática efetiva da Virtude. O Mestre Maçom não deve somente opor-se a todas as formas de opressão, tirania e intolerância, mas também deve comprometer-se a trabalhar positivamente colocando-se ao serviço dos outros. A ignorância, a intolerância, o fanatismo, o orgulho e a ambição devem ser combatidos implacavelmente. Trata-se aí, e este é um dos sentidos de dever dos Eleitos, realizar a inevitável morte do seu ego, para erradicar qualquer inclinação para se comportar como mau companheiro. A partir do grau 15, o Mestre Maçom veste o hábito de Cavaleiro, que é também o de Príncipe, de Peregrino e de Pastor, o que corresponde à definição de “viajante nobre” que empreendeu uma busca iniciática. Herdeiro do espírito da cavalaria, o Maçom defende contra todas as formas de injustiça numa ação controlada animada por uma ética de amor e equidade.
Irène Mainguy -Tradução José Filardo

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Quatro Elementos


Sede a TERRA, disse o Mestre. A TERRA recebe os dejetos dos homens e dos animais e não é perturbada por isto. Transforma as impurezas em adubo e fertiliza o campo.

Sede a ÁGUA, disse o Mestre. A ÁGUA se auto-depura e limpa tudo aquilo que toca. Sede ÁGUA em torrente.

Sede o FOGO, disse o Mestre. O FOGO faz a madeira em decomposição transformar-se em luz e calor. Sede o FOGO que queima e que purifica.

Sede o AR, disse o Mestre. O AR espalha as sementes sobre a TERRA, faz o FOGO arder com mais brilho e desloca as nuvens, para que a ÁGUA caia sobre todos os seres.

Se vós tiverdes a Paciência da TERRA, a Pureza da ÁGUA, a Força do FOGO e a Justiça do AR, vós sereis LIVRES.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Oração do Iniciado


Ó Grande Arquiteto do Universo, cuja existência está além da compreensão racional, abre meu coração ao entendimento intuitivo para que eu escolha sempre o caminho certo.

Tu, que legaste aos Teus primeiros emissários o mágico dom de criar e que proporcionaste aos seres viventes a possibilidade do eterno existir, mostra aos meus olhos internos a visão do incriado e faze de todos os meus momentos instrumentos do teu serviço.

Dá-me um espírito guerreiro, para que eu veja nos obstáculos que medram pelos caminhos fascinantes desafios a serem vencidos, dá-me forças para carregar com firmeza a tocha que ilumina as trilhas da compreensão e, mais ainda que força, dá-me a obstinação necessária para levar adiante, sem jamais fraquejar, a sedutora missão de servir-Te.

domingo, 18 de agosto de 2019

Simbolismo do Delta Sagrado


O DELTA SAGRADO, também chamado DELTA LUMINOSO, é o triângulo eqüilátero que se vê no painel situado atrás do Trono do Venerável e que possui, em seu centro, um “olho” humano ou simplesmente a letra “G” ou, mais raramente, a letra hebraica YOD que se apresenta graficamente como uma pequena vírgula. O nome DELTA, dado ao Triângulo, vem da quarta letra do alfabeto grego que é representada graficamente por um triângulo.

O Triângulo eqüilátero já estudado, representa os três aspectos da Divindade do Grande Arquiteto do Universo, aspectos estes absolutamente idênticos e iguais e que nos lembram a sua onipresença, onisciência e onipotência. No centro do Triângulo vê-se desenhado um “olho” e isto é uma versão moderna do simbolismo maçônico para lembrar, mais rapidamente, que “Deus está presente” e que Deus vê tudo”, isto é, que o Grande Arquiteto do Universo está sempre presente, vendo todos os nossos atos e todos os nossos pensamentos. Também é muito comum ver-se no centro do triângulo, em lugar do “olho”, a letra “G” que, como já vimos anteriormente, é uma modificação do ideograma representado por uma serpente que morde a própria cauda, sugerindo o eterno movimento, característica de Deus. Mas, ainda hoje, pode-se ver, em algumas Lojas, o Triângulo ostentando em seu centro uma figura mais ou menos parecida com uma vírgula. É o YOD, letra cabalística que significa Deus. 

Segundo relato histórico inserido no livro “Os Templários” de Adelino de Figueiredo Lima, o DELTA SAGRADO foi visto, pela primeira vez, no primeiro quartel do Século XII, por Hugo de Payns e mais oito cavaleiros franceses, nas ruínas do Templo de Salomão, em uma câmara subterrânea. Vamos dar aqui, sobre o DELTA SAGRADO, um pequeno trecho daquele autor, cuja leitura recomendamos: 

“O Triângulo, encontrado no Templo de Jerusalém, era uma figura geométrica constituída pela junção de três linhas e a letra YOD, no centro, significava a sua origem divina. Deus presidia os três reinos da natureza: o ‘mineral’, o ‘vegetal’, e o ‘animal’. O primeiro era a escola dos Aprendizes, o segundo, a dos Companheiros e o terceiro a dos Mestres. No mineral, era ‘Tubalkain’, o símbolo primário; no vegetal, ‘Schilbolet’ representava o progresso do Aprendiz; e no animal ‘Moabom’, que marcava a etapa final do gênero humano como filho que era da putrefação”. 
A visão do Triângulo levou os Templários a profundas considerações sobre o simbolismo por ele apresentado e viram a grandiosidade de sua significação como a expressão máxima da Matéria Cósmica e da Força Criadora, tendo em seus lados a representação da Alma Solar, da Alma do Mundo e da Vida. A reunião das três linhas lembrava a Unidade Perfeita representando, no Plano Material, a reunião do Pai, da Mãe e do Filho, constituintes da Família, princípio basilar da Sociedade. Já no Plano espiritual, o triângulo simboliza a Mente, a Alma e o Espírito, elementos integrantes do Absoluto. 

O YOD, que se apresenta no centro do DELTA SAGRADO, é a décima letra do alfabeto hebraico e, talvez, a menor de todas em representação gráfica, eis que ele se assemelha a uma vírgula. Esta letra é a inicial do Tetragrama IEVE, nome do Absoluto, a expressão mais importante de Deus, digna do mais profundo respeito e veneração. 

Os hebreus eram proibidos de pronunciar o Seu nome e todas as vezes que a ele tinham de se referir substituíam-no por Adonai. 

O Tetragrama é composto das letras YOD-HE-VAU-HE e é de notar-se que nele há, apenas, três letras diferentes ou, sejam o YOD, o HE e o VAU. Isto simboliza, no Plano Material, as três dimensões dos corpos, ou sejam; o comprimento, a largura e a altura e no Campo Espiritual significam a Grande Evolução do “que existiu”, do “que existe” e do “que existirá”. 

As provas materiais - da Terra, da Água, do Fogo e do Ar - às que foi submetido o Aprendiz, são relembradas, simbolicamente pelas quatro letras do Tetragrama. Embora as demais letras deste Tetragrama tenham a sua significação cabalística e revelem também profundo aspecto simbólico, delas não nos ocuparemos aqui, detendo-nos, apenas, na significação do YOD que é o objeto do nosso estudo. 

A letra YOD pode apresentar-se ora como vogal e ora como consoante. No primeiro caso, ela simboliza a manifestação potencial, a duração espiritual e a eternidade do poder criador da Divindade. No segundo caso ela representa a duração material de todas as coisas. Mas, a significação simbólica do YOD pode ser traduzida como: “Eu sou o que Sou”. Esta expressão encontra-se na passagem bíblica que narra o encontro de Moisés com o Senhor, no monte Sinai, quando Moisés perguntou-Lhe qual era o Seu nome, a fim de que ele O dissesse ao povo na sua volta. E Deus disse-lhe: “Eu sou o que Sou”. 

Representado como uma simples vírgula, ele lembra ser o “princípio de todas as coisas” e atendendo-se, ainda, ao fato de ser ele a décima letra do alfabeto hebraico, podemos raciocinar que este número, como já vimos, é formado pelo UM e pelo ZERO, estando o UM colocado antes do ZERO, ou seja, simbolicamente, a UNIDADE precedendo ao NADA, o que significa então que o Universo procedeu do NADA! 

Há, ainda, um outro aspecto que pode ser apreciado no simbolismo do YOD, ou seja, o aspecto geométrico. Com efeito, na Geometria, o YOD é representado por uma circunferência tendo em seu centro um ponto. No simbolismo desta figura o ponto representa Deus, e a circunferência apresenta o Universo limitado. Esta limitação, dada pela linha da circunferência, significa o Universo limitado em Deus. É necessário lembrar-se aqui de que embora em nossa conceituação humana o Universo seja considerado sem limites, face à infinita grandeza de Deus ele é perfeitamente limitado. 

Este é o simbolismo do YOD, o “princípio de todos os seres manifestados na Vida Absoluta”. A união do Espírito com a Alma Universal, isto é, a união do Poder de Deus com a sua Criação, harmonização perfeita entre a Criatura e o Criador, a Justiça com a Perfeição! 

Como se viu, o simbolismo do YOD não é simples e isto trouxe certas dificuldades em sua interpretação no decorrer dos tempos e, por isto, aos poucos este símbolo foi sendo substituído por um outro de forma mais fácil te ser interpretada, ou seja a letra “G”. 

Ao que parece, foi a Maçonaria Inglesa que fez a substituição do YOD pelo “G” e isto em virtude de que, sendo o YOD, em última análise a representação simbólica, de Deus, sua pronúncia se assemelhava, em muito, à da palavra GOD, inglesa, que se traduz por Deus. 

A letra “G” assume, atualmente, grande importância na ritualística e no simbolismo maçônicos e pode-se dizer mesmo que ela é um dos símbolos mais usados no interior de um Templo Maçônico. As interpretações que se dão a este símbolo variam quase que ao infinito e elas se referem, sempre, a tudo aquilo de bom, de justo e de perfeito que tem o seu nome iniciado com esta letra. Assim, encontramos explicações para a letra “G”, tais como: Grande Arquiteto do Universo, Grandeza do Mestre, Glória de Deus, Geometria, Geração, Gravitação, Gênio, Gnose e muitas e muitas outras que seria fastidioso enumerar. Acontece, porém, que o simbolismo é como que uma ciência que não permite divagações ao saber da fantasia de cada qual. Ele se refere especificamente a determinada coisa ou ser e, só sua interpretação correta pode dar a idéia correspondente àquilo que está hermeticamente representado. Portanto há que se pesquisar com consciência e seriedade o significado correto do símbolo. 

A hipótese aventada, da troca feita pelos ingleses do YOD para “G”, como uma assimilação de pronúncia, é aceitável, mas, é preciso ficar bem claro que, neste caso, houve uma feliz coincidência não só quanto à. vocalização dos sons das duas palavras - YOD e GOD - mas, ainda, pelo fato de que, como vimos, em hebraico YOD significa Deus e em inglês, a palavra GOD, também significa Deus! 

A explicação exata, no entanto, para a substituição do símbolo foi, realmente, a dificuldade de interpretação simbólica do YOD, principalmente pelos povos ocidentais, e mais, o fato de que a substituição em nada alterou o significado intrínseco do símbolo. Vimos, com efeito, linhas atrás, que na Geometria o YOD era representado por um círculo que tinha um ponto em seu centro e isto com a significação de Deus e sua criação, o Universo. Figuradamente o círculo se representava na Cabala por uma serpente que a própria cauda e este ideograma era o símbolo de Deus, representado por Seu eterno movimento criador. Quando, nos primórdios do alfabeto, os ideogramas se foram transformando em letras, o exercício da escrita foi, aos poucos, adulterando os símbolos primitivos. Podemos ver que a atual letra “B” foi, anteriormente, representada por um retângulo dividido ao meio por uma reta e formando dois quadrados; a letra “M” era representada por uma linha sinuosa lembrando uma onda do mar; a letra “T” representava- se por uma cruz. Assim, a letra YOD, cujo ideograma já se havia transformado de serpente em circulo com um ponto central foi transformando-se paulatinamente na letra “G”. É de supor-se que o constante exercício da escrita e o costume que iam adquirindo os “copistas” de lidar com as letras, levou-os, por desleixo ou por pressa, a mutilarem as letras e os símbolos. Assim, ao ter que desenhar um círculo e depois colocar um ponto em seu centro, podemos imaginar, sem esforço, que o “escriba” iniciava o traçado do círculo, partindo da direita para a esquerda e iniciando com um movimento ascendente. Quando terminava o traçado do circulo, sem levantar o “cálamo”, traçava uma reta até seu centro onde colocava o ponto. Assim a prática do desenho foi evoluindo e logo já não se preocupavam muito em fechar completamente o círculo, iniciando a feitura da reta que ia para o centro antes mesmo da linha circular se encontrar de todo. Daí o aspecto da letra YOD, transformado em letra “G”. 

Mudou-se o feitio gráfico do símbolo, mas isto não alterou em nada a sua significação simbólica. 

A idéia de Deus, ligada indestrutivelmente à de onisciência, trouxe uma nova transformação gráfica do símbolo. Esta, sim, foi drástica e vazada na interpretação simplista de uma figura que mais diretamente causasse impacto à primeira vista. O “G” foi substituído por um “olho”! A intenção, sem dúvida, se baseou na onisciência Divina traduzida na linguagem popular pelo “Deus vê tudo!” Foi por isto que se colocou dentro do DELTA SAGRADO a figura de “olho”. 

A idéia, sem dúvida brilhante, possuiu um cunho prático de levar o espírito do observador a alcançar, rapidamente, a idéia central da presença de Deus. 

A imagem de um “olho” vigilante, sempre aberto, sempre perquiridor conduz o Aprendiz, infalivelmente, ao entendimento de que por trás daquela figura há uma invisível presença! É, além disto, embora não acreditemos que tenha havido este propósito, uma forma de relembrar o período em que o homem, segundo nos relatam os estudiosos, possuía apenas um olho no meio da testa. 

Este fato, a par de uma hipótese científica, é uma realidade mitológica que pode ser encontrada em várias passagens da História primitiva, principalmente na narrativa feita em a “Odisséia”, na qual Ulisses, o herói grego, em suas andanças, encontra, nas costas da Sicília, uma terra habitada por gigantes que possuíam um só olho na testa - os ciclopes - um dos quais, Polifemo, prende a Ulisses e a seus companheiros. 

A Mitologia faz referências ainda a outros ciclopes, tais como Brontes que forjava os raios em sua oficina no monte Etna, Esteropes, que os colocava na bigorna e Piracnion que os martelava a golpes de malho. A palavra ciclope é formada de “ciclos”, que significa “círculo” e “ops” que se traduz por “olhar”. 

O sentido da visão, segundo os cientistas, evoluiu para o aparecimento de mais dois olhos na face do homem e, com isto o olho primitivo regrediu atrofiando-se até o seu completo desaparecimento. 

Órgãos que se atrofiaram não são raros no corpo humano. A Ciência nos informa de que houve um período em que o homem era hermafrodita, isto é, cada indivíduo possuía todos os órgãos masculinos e todos os órgãos femininos. A evolução encaminhou, aos poucos, o homem para a separação de sexos e, então, progressivamente nasceram indivíduos portadores só de órgãos masculinos e outros portadores só de órgãos femininos. Os órgãos que se atrofiaram deixaram, em cada indivíduo, seus vestígios. Os mamilos, no homem, são rudimentos de seios que, em épocas remotas tiveram a função de aleitamento. A próstata é hoje um útero rudimentar, mas que, em épocas passadas, esteve em pleno funcionamento. Na mulher, o clitóris é atualmente um pênis atrofiado que em primitivas eras cumpriu totalmente as funções deste órgão. Vemos, pois, que os órgãos rudimentares de que somos portadores são lembranças de eras avoengas. Isto leva os estudiosos a supor que a glândula pineal, situada profundamente no cérebro, em sua parte mediana anterior e que desempenha importantíssima função no equilíbrio do sistema glandular, apresentando ainda hoje, muitos mistérios não explicados em suas funções, leva a supor, dizíamos, que esta glândula pineal seja o resquício daquele primitivo olho dos ciclopes que se atrofiou com o aparecimento dos olhos faciais! 

Tudo o que acima foi dito, foi para explicar a existência deste olho único, então existente no homem e que tinha, segundo se supõe, propriedades outras, além de enxergar as coisas materiais. Este olho podia “enxergar” o mundo Espiritual. Era a terceira visão, que deixou de existir quando do aparecimento dos olhos que hoje temos no rosto. A Teologia afirma, em várias ocasiões, a existência de seres invisíveis aos nossos olhos, seres estes que ela denomina genericamente de anjos; admite, mais, a existência das almas das pessoas que morreram, habitando outras paragens que não o nosso mundo físico; a Mitologia nos fala de gnomos e espíritos da terra e ainda outras criaturas, invisíveis para nós, mas que, às vezes, se revelam para alguns mortais! Se, pois, há estas entidades espirituais e estas criaturas normalmente invisíveis, a sua invisibilidade decorre antes da impossibilidade que têm os nossos olhos materiais de vê-las, do que mesmo da sua existência. Acredita-se que os primitivos ciclopes podiam ver, com seu único olho, estas entidades invisíveis aos nossos olhos de hoje! 

A explicação disto decorre do fato de que os nossos olhos, que nada mais são que órgãos captores das vibrações luminosas que as recebem e as enviam ao cérebro para sua apreciação, só podem enxergar ondas 

As cores que conhecemos, em número de sete, chamadas cores fundamentais, são vibrações da luz com comprimentos de ondas diferentes que, por isso, sensibilizam de formas diversas a nossa retina e, enviadas ao cérebro, através do nervo ótico, se revelam como vermelho, amarelo; laranja, verde, azul, anil e violeta. Está, no entanto, cientificamente comprovado que além destas ondas percebidas por nossos olhos há outras que são incapazes de impressionar a nossa retina porque o seu comprimento de onda não sensibiliza os fótons, que são células da retina. Assim, as ondas ditas infravermelhas ou as chamadas ultravioletas, não são percebidas pelo olho humano, mas podem ser operadas por determinadas técnicas em certos aparelhos, que podem então fazer fotografias, com estes tipos de ondas, de objetos colocados em plena escuridão e, portanto, invisíveis para nós. Há insetos, como as abelhas, que enxergam com a luz ultravioleta, que não é percebida pelos olhos humanos. Existem, pois, qualidades de matéria que emitem raios luminosos com freqüência vibratória inferior ao infravermelho e superior ao ultravioleta. Este tipo de matéria não pode ser percebido pelos olhos humanos. Quem poderia contestar, peremptoriamente, o fato de serem as entidades espirituais, invisíveis aos nossos olhos, constituída por este tipo de matéria? 

Anjos, Arcanjos, Serafins, Querubins, Tronos, Potestades, Dominações, Espíritos, Almas, Gnomos, etc. e ele, são, pois, entidades “materiais” constituídas de matéria muito mais sutil, muito mais fina do que o tipo de matéria que conhecemos e que afeta ao estado sólido, líquido e gasoso. Por esta razão, não são por nós percebidos, não obstante estarem junto de nós, trabalhando conosco, orientando-nos, ensinando-nos a todo o momento! 

Com uma comparação grosseira, podemos dar uma idéia de como este mundo invisível, apesar de presente junto a nós, não consegue impressionar as células fóticas de nosso aparelho visual. Suponhamos que nos encontremos em um salão de cinema onde está sendo projetado na tela um filme qualquer. As imagens ali projetadas se movimentam e este movimento é perfeitamente acompanhado pelos nossos olhos. Suponhamos ainda que, em dado momento, sem que seja interrompida a projeção do filme, acendam-se todas as luzes do salão. O que acontece? Deixamos, imediatamente de ver as figuras que continuam a ser projetadas na tela, não obstante elas ali continuem a se movimentar como antes. Por que não as enxergamos mais? Porque uma causa exterior, ou seja, a luz, impediu que os nossos olhos captassem aquelas imagens agora de intensidade menor. Isto é o que acontece com relação ao mundo Espiritual que nos cerca. Ele existe, está aqui mesmo em torno de nós, mas, nossos olhos são incapazes de reagir às suas vibrações luminosas porque elas ou são menores do que as ondas infravermelhas ou maiores do que as ondas ultravioletas. Em resumo, porque nós não possuímos a terceira visão! 

Esta terceira visão era, segundo se acredita, um atributo normal ao homem primitivo, isto é, nos ciclopes. Parece, segundo relatos bíblicos, que os homens do tempo de Moisés, apesar de não serem mais ciclopes, tinham ainda, com certa facilidade, o poder de enxergar os entes do mundo espiritual. A Bíblia é cheia de relatos de “aparições” de anjos e outras entidades do mundo Espiritual que mantinham palestras, davam conselhos ou exprobravam aos homens. Ainda hoje os espiritistas afirmam que os “médiuns” entram em contato visual com as entidades do mundo espiritual. Não são todos os “médiuns” que têm esta capacidade. Apenas alguns, ditos “médiuns videntes” é que podem fazê-lo. Talvez se possa explicar cientificamente esta possibilidade que têm algumas pessoas de “verem” os espíritos e outras entidades, por uma transitória alteração na química dos fluidos corporais que possa predispor a retina a vibrar de forma a perceber as vibrações abaixo ou acima da escala luminosa normal à percepção dos olhos da maioria dos humanos. 

A possibilidade da terceira visão, em nós, o comum dos mortais, deve persistir em estado latente e é isto que nos faz perceber a existência de uma entidade superior por trás da figura do “olho” desenhada no centro do DELTA SAGRADO. Este “olho” é, sem dúvida, um elemento de vigilância, uma afirmação da “vigilância divina” que tudo observa, tudo sabe é tudo vê e que por isso mesmo obriga ao homem a seguir a sua vontade, vontade esta que emana no Templo Maçônico, envolvendo a tudo e a todos, fazendo-se respeitada por ser a própria vontade de Deus! 

O pensamento filosófico nos ensina que a “luz espiritual” é mais real do que a “luz material” mas aquela luz só pode ser percebida pela nossa atrofiada terceira visão que, não obstante o seu atrofiamento, inconscientemente a “enxerga” e obedece. Assim, dentro do Templo, cada Maçom é um ponto de captação desta misteriosa “luz espiritual” e, por isto, forma, com os outros Maçons que ali se encontram, uma verdadeira “Cadeia de União” na qual todos vibram sob os influxos de uma mesma Vontade Superior e refletem, em conjunto, esta Divina Vontade produzindo os benefícios do amor, da harmonia e da fraternidade que une todos os obreiros da Oficina. 

Sabemos que os trabalhos de uma Oficina Maçônica não têm nenhum valor se antes deles não for aberto o “Livro da Lei”, porque nele está a “palavra” Divina. Da mesma forma, no “olho” do DELTA SAGRADO está a “presença” Divina. Esta “presença” observa o Maçom não só em seu aspecto exterior, mas, ainda em todo o seu íntimo, no recôndito de seu coração e no âmago de sua alma! 

YOD, “G” ou “Olho”, o símbolo é o mesmo, a sua interpretação é a mesma, o seu significado é o mesmo! Ele lembra a presença de Deus dentro do Templo Maçônico, em toda a plenitude de Seus atributos divinos de perfeição, igualdade e justiça, representados nos fados perfeitamente iguais do Triângulo e, ainda, a Sua onisciência representada no seu símbolo central! 

Terminamos aqui as nossas considerações sobre o significado simbólico do DELTA SAGRADO e estamos certos de que não erramos quando nos recusamos a fazê-las para os Aprendizes porque, como se viu, estas considerações se restringem, quase que exclusivamente, ao campo da Filosofa Maçônica, do hermetismo da Cabala e do transcendentalismo do Plano Espiritual, o que era então, defeso ao Aprendiz, ligado como estava ainda unicamente aos fenômenos e às manifestações do Plano Material, incapaz, por isto mesmo, de compreender a beleza e a grandiosidade do Símbolo Sagrado. 

Estamos certos de que não erramos! 

Boanerges B.Castro-Simbolismo dos Números

domingo, 26 de maio de 2019

Ordem da Estrela do Oriente


Organização Paramaçônica criada em 1850, pelo Maçom Robert Morris (advogado e Grão-Mestre do Estado de Kentucky – EUA). 

Tem como propósitos através de seus trabalhos ritualísticos, ressaltar valores morais, espirituais, edificar caráter, educar, fazer caridade e servir ao próximo. Existe entre seus membros um profundo elo fraternal, muito amor o que aproxima uns dos outros fazendo-os cada vez mais queridos entre si, sendo um privilégio poder servir seu próximo sempre que for preciso e possível. Um dos grandes propósitos das Estrelas do Oriente é dar suporte a Ordem Rainbow Girls (Garotas Arco-Íris), preparando-as para uma vida de liderança dentro dos valores das Estrelas do Oriente.

Nestes 160 anos de existência, a Ordem tem se destacado por suas inúmeras obras de assistência, colocando-se como um alicerce social junto às Lojas Maçônicas.

A Estrela do Oriente tem como propósito: através dos seus trabalhos ritualísticos:

Educar;

Edificar caráter;

Ressaltar valores morais e espirituais;

Fazer caridade e servir ao próximo;

Dar suporte a “Ordem Internacional das Filhas de Jó;

” Não é uma religião e nem uma sociedade feminista.”

As reuniões do Capítulo são mensais e, obrigatoriamente, acontecerão em um Templo Maçônico ou Salas  Capitulares, pois a Ordem necessita ser apoiada por uma Loja Maçônica. No entanto, o apoio será restrito ao que diz respeito às instalações. Por se tratar de uma Ordem de adultos, o Capítulo se mantem por conta própria. Para formar um Capítulo é preciso 18 membros sendo 16 senhoras e 2 Mestres Maçons, patrocinada por uma ou mais Lojas Maçônicas regulares. 

A Ordem, desde sua fundação, cresceu muito e hoje existe em vários países. Estados Unidos (inclusive Alasca), França, Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha, México, Panamá, Filipinas, Japão, Porto Rico, Havaí, Austrália, Canadá, por exemplo. Conta com aproximadamente 1.200.000 membros.

Chegou ao Brasil, no Rio de Janeiro, em agosto de 1997 quando foram instalados quatro Capítulos. Hoje, no estado de São Paulo, existem mais de 40 Capítulos, além de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Espírito Santo…
Quem pode ser iniciado?
Podem ser iniciados no Capítulo da Estrela do Oriente, esposas, filhas, noras, mães, irmãs, netas, bisnetas e viúvas de Mestre Maçom que esteja regular com sua Loja Maçônica e Maçom que esteja regular em uma Loja. A idade mínima para poder ser iniciada é de 18 anos.

Os principais requisitos para ser uma Estrela do Oriente são:

– Crer em um Ser Supremo;

– Ter boa conduta moral;

– Ter consciência de bom relacionamento de amizade, fidelidade e irmandade para que a Ordem possa fluir com harmonia.

A Maçonaria honra-lhe com o indispensável patrocínio e lhe imprime as regras de ingresso e convivência, assim como a disciplina e a ética.